terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

[AÇÃO GAMES 026] TEENAGE MUTANT NINJA TURTLES: THE HYPERSTONE HEIST (Mega Drive, 1992) [#324]

 

No final de 1992, uma coisa realmente boa aconteceu para os donos de Mega Drive. Não, eles não foram adotados por uma família que realmente os amava a ponto de lhes dar um videogame decente, mas dentro do que era possível acontecer foi tão bom quanto: o contrato de exclusividade da Konami com a Nintendo terminou, e a casa de Contra finalmente poderia lançar seus jogos para o16 bits mais barato.

Essa é a notícia boa, a notícia ruim é que a Konami não fazia muita ideia do que exatamente era um Mega Drive e, mais importante que isso, não se importava. No que eu totalmente posso respeitar a Konami, vendo o que a empresa se tornou hoje é até dificil imaginar dizer isso, não?

Enfim, se era para fazer um jogo das tartarugas Ninja para esse tal de Mega Duraivu, os japoneses da Konami reuniram sua equipe de desenvolvimento mais jovem e lhes deram os assets produzidos para os outros jogos da série e era isso. Tartarugas Ninja para o Mega Drive tem uma fase nova, sendo as demais apenas reaproveitadas do arcade ou do jogo para SNES.

Então, se TMNT é nada senão um triste episódio de recaptulação da franquia, acho que nada mais justo do que comparar a versão do SNES e do Mega Drive, não?


REVIEW: Teenage Mutant Ninja Turtles IV: Turtles in Time para SNES

Eu gosto como a capa europeia do jogo não tem essa necessidade adolescente americana de querer parecer sombrio e darquiii e dumauuuu


HISTÓRIA

Em ambas versões do jogo, a Estátua da Liberdade é roubada e cabe aos quelonios treinados em ninjutsu resgata-la. Claro que isso levanta mais perguntas do que responde: porque exatamente vilões roubam marcos municipais sem valor de revenda? (porque, sério, o Destruídor tem um comprador no mercado negro que quer colocar a Estátua da Liberdade no seu quintal?). Onde estão as forças de segurança desse mundo que cabe a cara que moram no esgoto partir nessa missão? Eu não gostaria de ser o prefeito de uma cidade que vai ter que entregar a chave da cidade a caras que fedem a merda e ravioli (mesmo que os esgotos pareçam muito limpos nessa franquia, mas enfim).

Seja como for, a diferença entre as duas versões é COMO isso acontece.



Na versão de Mega Drive, a estátua e todo bairro de Manhattan são apenas teleportadas ou descobrem como aparatar ou sei lá o que. Ok, pontos pela ambição de um bando de vilões que se chama "Clã do Pé". Na versão de Super Nintendo, no entanto...


... o cara pegou a estátua da liberdade e saiu correndo! Aehooooooo hahaha!

Pela cara de pau e absurdidade, uma vitória HUEHUEBR para a versão de Super Nintendo

COMANDOS

Tradicionalmente, existem apenas três comandos em um beat'm up das tartarugas ninja: ataque, pulo e ataque especial que consome energia. Considerando que o Mega Drive tem três botões, não deve ser um problema, certo?

... certo?

Então, por algum motivo de gerico na história das ideias ruins, alguém na Konami decidiu que os botões do Mega Drive seriam ataque, pulo e correr. Sim, tem um botão para correr, mas não um botão para o ataque especial que tem que ser feito uma gambiarra apertando dois botões ao mesmo tempo - o que é absolutamente nada prático e exige um contorcionismo que seus dedos não foram feitos para fazer!

Você não consegue apertar dois botões com o mesmo dedo, ao contrário do controle do SNES, tendo que deitar o indicador para apertar A e B ao mesmo tempo. Que bosta.
O resultado é que você apenas joga sem os ataques especiais. tornando o jogo mais longo do que ele precisa ser.

FASES

Falando em duração, o jogo do Super Nintendo é levemente mais curto (45 min aprox. contra 1 hora no Mega Drive), mas tem 10 fases. A versão de Mega Drive tem apenas 5. O resultado é que o jogo parece terrivelmente mais arrastado - sobretudo devido a falta de variedade no gameplay.

Adicionalmente, o jogo do SNES tem uma certa ordem lógica: as tartarugas seguem o Destruídor em fases em Nova York até o Tecnodromo, então são mandadas de volta no tempo e encaram fases em diversos períodos da história (como pré-história, época dos piratas ou no futuro).

No Mega Drive essas fases são apenas usadas sem razão ou rima. Numa fase você está no esgoto de Nova York, na outra está em um navio pirata e então está numa caverna (igual a préhistória do SNES, mas sem os dinossauros). Talvez para quem não jogos os dois jogos isso não faça diferença, mas para isso urra a "episódio de recapitulação de anime" e mostra o quanto os produtores estavam desinteressados em fazer esse jogo.

Como é a história da Sega, sua única opção real de se divertir com isso é não suspeitar que a vida pode ser muito melhor que isso. É praticamente o conto da caverna de Platão, só que contado através de um beat'm up ruim.



CHEFES

A versão do SNES utiliza os inimigos do desenho animado, mas adaptados a época histórica. Na pré-história você enfrenta o Slash (que é justamente uma tartaruga da idade das cavernas), na época dos piratas você enfrenta o Beebop e o Rocksteady vestidos de pirata. Isso agrega valor de charme ao jogo, cria novos bonecos para serem vendidos, todo mundo ganha!


No Mega Drive os chefes são jogados tão aleatoriamente quanto as fases, além usar o malfadado expediente de ter que enfrentar todos os chefes uma segundavez na mesma fase apenas porque sim. E qual a lógica de você ter que lutar com todo os chefes do jogo na mesma fase e então enfrentar o Baxter Stockman como chefe da fase? Nenhuma, apenas é aleatório porque tanto faz.

Mas esse nem é o maior problema dos chefes  e sim que todos usam exatamente a mesma programação: ao levar uma sequencia de golpes eles pulam para o lado da tela onde atacam descendo  verticalmente. Passam para o outro lado e repete.

Essa é uma coisa legal de dizer antes de sair para deixar os capangas lutando... exceto que ele não sai e você luta com ele do mesmo jeito. Eu também questionaria trabalhar em um lugar que condiciona a abertura de uma porta a minha explosão, como é o caso com esse chefe, mas o que eu sei da vida, afinal?
Tanto que jogando de dois (boa sorte achar alguém para sofrer esse jogo com você) faz mais sentido ficar um de cada lado da tela esperando o chefe. Você poderia pelo menos esperar que a programação da movimentação dos chefes fosse diferente uns dos outros, mas então você está colocando mais esforço intelectual no desenvolvimento do jogo que seus criadores o fizeram.

Eu também ficaria feliz se cada hit dos chefes não fizessem você sair rolando por três dias uteis até retomar o controle do seu personagem, mas acho que já estabelecemos que o objetivo desse jogo não é fazer ninguém feliz, não é?


Em suma, o que falta em níveis e variedade de Hyperstone Heist, também falta em jogabilidade básica e som. Deus, como eu odeio o som desse jogo, o som de quadro negro arranhando quando os ninjas defendem seu ataque é algo que me assombrará até o fim dos meus dias. O chip de som do Mega Drive já é horroroso, mas o que eles fizeram nesse jogo pode ser classificado como crime de guerra.

Esse jogo das tartarugas para Mega Drive parece uma adaptação de má vontade de Turtles in Time no início, mas você logo realiza que ... ele é exatamente isso mesmo. Um jogo feito sem amor nenhum para um videogame só comprado por pais que não tinham amor nenhum por seus filhos. Pensando por esse angulo, realmente, realmente taí uma adaptação que entendeu seu público alvo!!