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quinta-feira, 2 de abril de 2026

[#1708][Mar/2001] ILLBLEED

Em 31 de janeiro de 2001, os videogames mudaram para sempre.

Foi o dia em que Peter Moore, então presidente da Sega of America, anunciou que a Sega encerraria a fabricação do Dreamcast em março, e mudaria seu foco exclusivamente para a criação de jogos. Esse foi o fim de uma era. A partir daquele momento, o campo de batalha do hardware pertenceria apenas a gigantes globais como a Sony e — mais tarde naquele mesmo ano — a Microsoft. E sim, a Nintendo... mas a Nintendo meio que vive na sua própria bolha e faz a sua própria coisa, sobrevivendo com decisões e que não funcionariam para mais ninguém.

A morte do Dreamcast marcou o fim de uma fase mais artesanal da indústria de videogames — uma era um pouco mais romântica, em que você não precisava ser uma megacorporação cyberpunk para competir no ramo dos consoles. Eu ainda vou escrever uma despedida mais adequada para a Sega em outra ocasião, mas o que importa hoje é que o fim do Dreamcast representa o fechamento de uma janela em que qualquer pessoa com uma ideia suficientemente bizarra para um videogame podia — e frequentemente encontrava — um lar em uma Sega em dificuldades, mas criativamente sem nada a perder.


Jogos como ROOMMANIA #203SEVEN MANSIONS: Ghastly SmileSEAMAN ou THE TYPING OF THE DEAD existiam num espaço além de rótulos simples como bom ou ruim. Eram produtos da imaginação ensandecida, jogos que você terminava e então ficava sentado em silêncio por vários minutos depois, encarando o vazio e se perguntando o que, exatamente, você tinha acabado de jogar. Claro, alguns desses experimentos acabaram escapando para o PS2 — não é mesmo, Mr. Mosquitto e Katamari Damacy? — mas o Dreamcast foi, e sempre será, o habitat natural deles.

Nesse aspecto, Illbleed — lançado apenas alguns meses depois que a Sega efetivamente anunciou que o Dreamcast já era morto-vivo — é um dos últimos jogos que realmente se qualifica como um jogo de Dreamcast no sentido mais puro possível da expressão. Não apenas um jogo no Dreamcast, mas um jogo que pertence àquela categoria em que a descrição mais precisa que você pode dar é: é um jogo de Dreamcast, e a humanidade não está equipada para categorizá-lo além disso.

Então, vamos dar uma olhada mais de perto em um dos últimos sobreviventes dessa espécie em extinção.

sábado, 28 de março de 2026

[#1704][Set/2001] LUIGI's MANSION


Cara, a Nintendo realmente é uma coisa diferenciada, né?
Quando um novo console era lançado antigamente, a Nintendo tinha a tradição de colocar o nosso encanador bigodudo favorito como título de lançamento. Os jogos do Mario sempre foram feitos de cair o queixo e deixar bem claro que uma nova geração estava começando, e como consequencia fazer crianças do mundo inteiro sentirem "eu PRECISO desse console AGORA MESMO" para atormentar os pais. NES? SUPER MARIO BROS. SNES? SUPER MARIO WORLD. Nintendo 64? SUPER MARIO 64. Então, naturalmente, como a tradição exigia, todo mundo assumiu que o GameCube seguiria o exemplo com um jogo de plataforma novinho do Mario no lançamento, certo?

Certo. Mas.

segunda-feira, 28 de julho de 2025

[#1517][Jan/2000] SEVEN MANSIONS: Ghastly Smile (ou "Nanatsu no Hikan: Senritsu no Bishō" no Japão)


Ante de começar esse projeto, eu não sabia absolutamente nada sobre o Dreamcast. Menos do que nada, na verdade, eu nunca sequer havia visto um único jogo de Dreamcast na vida (talvez exceto os que depois foram portados para o PS2 quando do falecimento do console, como DEAD OR ALIVE 2.

É, EU NÃO CONSIGO IMAGINAR PORQUE VOCÊ CONHECERIA DEAD OR ALIVE 2 DE TODAS AS COISAS...


Existem mais mistérios entre o céu e a Terra do que supõe nossa vã filosofia, Jorge... mas divago. O fato é que eu não sabia nada sobre o Dreamcast antes de começar esse projeto e sabia menos ainda que o último console da Sega seria essa máquina bem lubrificada de vomitar jogos bizarros. Hoje, quando eu penso "tão ruim que é bom" em videogames, eu imediatamente penso na caixinha perolada da Sega e como grandes são as chances de você sair do jogo com uma sensação de "WHAT. THE. ACTUAL. FUCK.".

Estou falando de uma máquina que nos deu perolas como D2 ou BLUE STINGER... e hoje se junta este glorioso panteão de "mano, o que eles fumaram aqui?" esta joia que atende pelo nome de "Sete Mansões Mas por "Mansão" Entenda Qualquer Tipo de Construção: Sorriso Que Pode Evoluir para Haunter". Vamos a essa tolice, então.

quarta-feira, 18 de junho de 2025

[#1489][Fev/2000] CARRIER


A esse ponto das coisas — chegando a marca de 1500 reviews neste blog — eu já cruzei com todo tipo de desenvolvedoras de jogos. Algumas ruins, algumas boas, algumas lendárias. Mas nenhuma delas, e digo isso com absoluta certeza, deixou uma marca em mim como a Jaleco. E por uma razão simples: eles são absolutamente inesquecíveis por serem completamente esquecíveis.

A Jaleco, meus amigos, é a rainha indiscutível dos presentes de tia. Sabe aquele jogo baratinho que ninguém escolhe, mas sempre tem uma tia para dar de presente para o seu sobrinho que gosta "dessas coisa de videogame?". É esse o território deles. Uma empresa que não faz jogos exatamente ruins... mas com certeza também não faz jogos bons. O que eles fazem é se especializar na versão da shopee do que quer que seja que esteja na moda no momento.

Capa japonesa do jogo

Quando STREETS OF RAGE e FINAL FIGHT  dominavam o boom do beat'em-up no início dos anos 90? A Jaleco lançou RIVAL TURF  — um jogo que não é ruim, mas também não é muito bom. Então veio a era dos jogos de luta, com STREET FIGHTER II: THE WORLD WARRIOR e FATAL FURY: The King of Fighters  incendiando os fliperamas. A Jaleco respondeu com... "HEY PUNK! ARE YOU TUFF E NUFF? MASTER THE MOVES TO MASTER ME!" — o que, admito, pode ser o melhor nome que um videogame já teve. Mas a jogabilidade? De novo — nem ruim, nem ótima. Essa é a Jaleco em poucas palavras: uma empresa que vive e morre pela arte sagrada da imitação medíocre.

Então, quando a Jaleco decidiu que era hora de fazer um jogo de survival horror para chamar de seu, você já sabia duas coisas:

a) seria uma imitação barata de RESIDENT EVIL, e
b) não seria um jogo ruim... mas com certeza também não seria um bom — porque é assim que a Jaleco rola.

quinta-feira, 5 de junho de 2025

[#1483][Dez/1999] D2


Então, para o jogo de hoje...

WOW, WOW, ESPERA AÍ, TEMPO!

Começou cedo hoje, Jorge.

VI QUE VOCÊ MARCOU ESTE JOGO COMO RPG DE AÇÃO, RAIL SHOOTER, SURVIVAL HORROR E POINT'N CLICK. POR QUE NÃO MARCAR COMO JOGO DE CORRIDA ENQUANTO ESTAMOS NISSO?

Olha, eu entendo. Parece que eu fui colocando tags aleatoriamente, mas juro que não estou de sacanagem — D2 realmente é tudo isso e possivelmente mais. Se Shinji Mikami e David Lynch tivessem um tórrido fim de semana de amor em uma cabana isolada pela neve com um kit de desenvolvimento do Dreamcast, nove meses depois este seria o resultado.

E de muitas maneiras, D2 é o microcosmo perfeito do Dreamcast, porque de alguma forma o Dreamcast se tornou o lar das grandes tolices, de jogos tão genuinamente japoneses que dão a volta completa no espectro da ruindade e se tornam fascinantes no sentido de "mas que porra eu acabei de ver?" - você sabe, jogos como BLUE STINGER ou SPACE CHANNEL 5.

No Japão, foram colocadas três capas variantes a venda. Because ART.

Então pegue uma garrafa térmica, feche o zíper da sua parka e vamos passear juntos pela tundra, onde os monstros parecem caras com roupas de borracha, as cutscenes nunca terminam e seu único amigo está lentamente se transformando em uma salada.

Bem-vindo a D2. Você não está preparado.
Mas o Dreamcast também não estava

terça-feira, 28 de janeiro de 2025

[#1391][Set/1994] SYSTEM SHOCK

DISCLAIMER: Tecnicamente, essa review deveria ser de System Shock 2 que saiu em 1999, esse é o jogo que saiu na Gamers. Entretanto poucas coisas são mais ingratas que rodar um jogo de computador de 1999, usualmente isso é nada senão sofrimento e dor. A boa notícia é que foi anunciado um remaster enhanced para 2024 desse jogo, a noticia não tão boa é que ele foi adiado e até a data desse post não há uma previsão oficial - a estimativa é que ele lance em algum ponto de 2025... espera-se.

Bem, pero no hay problemo, amiguemo, porque em 2023 foi lançado um remake do primeiro System Shock de 1994. Enquanto o remake atualiza os gráficos e principalmente a interface (felizmente, mais sobre isso daqui a pouco), ele não mexe quase nada no level design e na estrutura do jogo e isso me serve muito. Por isso, sem mais delongas, é hora de CHOQUE DE SISTEMA OLHA AQUI PEDERNEIRAS AI AI!

Me diga se essa cena lhe é famíliar: você acorda em uma cidade isolada do mundo. Você não sabe o que, exatamente, aconteceu mas sabe que o pau tá cantou na casa de Noca. Corpos (frequentemente em pedaços) por todo lado, mutantes loucos correndo por aí, pixações nas paredes com palavras de ordem de algum tipo resistencia, papeis espalhados e caos em toda parte. Parece que algum tipo de revolução aconteceu e claramente os mocinhos não venceram.

Sem saber o que caralhas está acontecendo, você começa a andar pelos corredores claustrofóbicos armado da primeira coisa que você encontrou pelo caminho: uma chave inglesa - que logo é posta em uso amaciando o maxilar dos já citados mutantes selvagens. Ao longo do caminho você vai encontrando trechos de audios e emails de pessoas que provavelmente não estão mais vivas que te fazem começar a entender o que porra aconteceu ali. Isso tudo em um jogo de tiro em primeira pessoa.


HÃ, TÁ, ESSA É A DESCRIÇÃO DE BIOSHOCK. É UM JOGO BEM FAMOSO, TODO MUNDO CONHECE ELE.

Certo... exceto que o ano aqui é 1994. Mais especificamente, setembro de 1994, o Brasil ainda está de ressaca pelo tetra, o Plano Real é um sucesso e o dolar vale R$ 0,70 e Cavaleiros do Zodíaco é a coisa mais quente na televisão.

segunda-feira, 14 de outubro de 2024

[#1318][Mar/1999] BLUE STINGER


Existe um certo charme único, um je ne sais quoi nos filmes ruins que me fascinam e entretem imensamente. Só que, claro, não é qualquer filme ruim que serve para essa conta. É necessário, em primeiro lugar que um filme seja divertido ao ser ruim. Por exemplo, Batman V Superman (2016) é um calvário de quase três horas, enquanto BATMAN AND ROBIN (1997) é hilário por todos os motivos errados. Eu posso apreciar o George Clooney sacando um batcard dos seus batmamilos muito mais do que aguentar o Zack Snyder tentando retratar o Superman como Jesus em camera lenta por três horas. 

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

[#1233][Out/97] DARK EARTH

Até 1997, a Kalisto Enterteinment não era sequer uma nota de rodapé na história dos videogames pq eles tinham que fazer muito para chegar a ser apenas isso. Quer dizer, os caras puniram o mundo com PAC IN TIME, o esquecimento é uma punição pouca.

Porém então em 1997 eles se redimiram perante a raça humana com a invenção de NIGHTMARE CREATURES. Não que NIGHTMARE CREATURES seja lá um baaaaaaita jogo, mas a parte importante é que acertaram em cheio ao criar o genero hack'n slash como eu expliquei naquele texto. O resultado disso é que com mais de um milhão e meio de jogos vendidos havia um enorme mercado potencial sedento por jogos desse tipo - ao que ultimamente nos levou a perolas como Nier: Automata e Metal Gear Rising, então obrigado Kalisto!

Bom, o jogo realmente não perde tempo em começar, assim como nosso herói que não perde tempo que já começa o jogo amassando a passoquinha

Mas então, depois de arrebentar a boca do balão achando um filão a ser explorado com esse novo genero, é óbvio que o próximo jogo da Kalisto foi... uma mistura de survival horror com beat'm up? Hã, seria mais seguro apenas investir no que tava dando certo, mas eles tavam se sentindo quente na maionese, eu acho?

Enfim, seja como for é que a Kalisto decidiu arriscar e é assim que adentraremos Terra Preta.