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quinta-feira, 19 de março de 2026

[#1700][Nov/2000] SIN AND PUNISHMENT

And now, the end is near
And so N64 face the final curtain

Aqui estamos nós, na review do último jogo de N64 neste blog e... bem, vou ser sincero com vocês: este não é exatamente o momento mais emotivo que eu já tive aqui. Quer dizer, eu—como qualquer um que cresceu com pais que os amavam e não tiveram um videogame da Sega—fui criado na Nintendo, e até hoje a marca ainda tem um forte significado no meu coração. Dito isso, o N64... bem, depois de passar por quase toda a sua biblioteca (menos os jogos de esporte e corrida, como de costume), tenho que admitir: não fiquei muito impressionado.

Claro, a Nintendo sempre vai ser a Nintendo, e estou até hoje esperando para ver um título first-party verdadeiramente ruim da Big N. E tem a Rare. Depois de um começo um tanto instável (e sim, ainda mantenho meu ódio por BATTLETOADS), eles provaram ser a joia da coroa, rivalizando com a própria Nintendo em qualidade. Na verdade, quando se trata da quinta geração, essa não é uma declaração trivial. Por mais que eu admire SUPER MARIO 64 e MARIO KART 64, jogos como BANJO-KAZOOIE e DIDDY KONG RACING operam em um nível totalmente diferente—mais polidos, com mais conteúdo e até mais ambiciosos. Entre a Nintendo e a Rare, a chamada "Fun Machine" conquistou sua reputação, chegando a ganhar o prêmio Jorge de Jogo do ano (nossa premiação anual, e obviamente a mais importante da indústria) de 1998 para THE LEGEND OF ZELDA: Ocarina of Time.

Mas saia dessa bolha e a paisagem do N64 se torna... bem árida. Há lampejos de brilhantismo aqui e ali, claro—a adaptação quase milagrosa de RESIDENT EVIL 2, ou TETRISPHERE que é um dos puzzles mais satisfatórios que eu já joguei. Mas além desses destaques isolados, a biblioteca carece de profundidade. A esse ponto, claro, todos sabem o porquê. Já abordei todo o debate da quinta geração (e se precisar de um lembrete, meu conto da história do NINTENDO 64 e do NINTENDO 64DD contam a história muito bem), e o ponto aqui é que o sistema se tornou um playground quase exclusivo para a Nintendo e a Rare. O resultado é um console que, apesar de seus pontos altos, parece vazio em retrospectiva.


E pra ser sincero, eu nem tenho apego emocional suficiente para me sentir triste com o fim do Nintendo 64—o que é incomum para mim. Quando um console morre, geralmente significa algo. Há uma sensação de encerramento, de dizer adeus a um capítulo da sua vida. Mas o N64? Ele meio que... é. 

Dito isso, dou crédito onde créditos são devidos: o N64 consegue evitar uma indignidade em particular. Normalmente, os anos finais da vida de um console são bem deprimentes. Os desenvolvedores seguem em frente, os orçamentos encolhem, e o que resta é um cemitério de ports preguiçosos, tie-ins licenciados baratos e shovelware cínico do tipo "é para crianças, e esses trouxas compram qualquer porcaria". Aconteceu com o NES, aconteceu com o SNES, e por volta da mesma época, estava acontecendo com o PlayStation também. Mas o N64? Ele sai de cena por cima.

Porque seu ato final não é algum caça-níqueis meia-boca—é um verdadeiro petardo. Sin and Punishment, desenvolvido pela Treasure em colaboração com a Nintendo (especificamente a lendária divisão R&D1, as mesmas mentes por trás de METROID e SUPER METROID), é tudo menos uma despedida preguiçosa. É rápido, estiloso, mecanicamente thight e repleto do tipo de energia criativa que tantas vezes faltou ao sistema fora de seus desenvolvedores principais. Na verdade, é tão bom que quase parece uma piada de mau gosto. Você não pode deixar de pensar que se o N64 tivesse recebido mais jogos como este ao longo de sua vida—mais experimentais, mais ousados, mais dispostos a empurrar o hardware—estaríamos falando sobre ele de forma muito diferente hoje.

segunda-feira, 2 de março de 2026

[#1689][Set/2000] ARMY MEN: Sarge's Heroes 2


Oh, Deus. 

É... porque você sabe que coisas boas estão vindo por aí quando alguém começa uma review com "oh, Deus", né? Mas é, Army Men... de novo. A esse ponto, a série se tornou a hidra dos videogames: você analisa um desses produtos genéricos produzidos em uma linha de montagem, e mais dois aparecem para tomar o seu lugar. E agora eu estou no meio de um Zerg Rush da The 3DO Company com Army Men 589 ou qualquer outro número que ninguém mais se importa em contar. Então, vamos tratar isso como o band-aid que é e arrancá-lo rápido.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

[#1677][Set/2000] MYSTERIOUS DUNGEON: Shiren the Wanderer 2 - Oni Shūrai! Shiren-jō!


Então, Shiren, o Andarilho 2 é a sétima entrada na franquia Mystery Dungeon, e com isso eu suponho que já disse tudo que vc precisa saber sobre esse jogo, e se não recomendo dar uma lida nas minhas revisão de Chocobo Dungeon e Chocobo Dungeon 2. Isso sendo dito, bom carnaval meu povo, usem camisinha, se beber não dirijam e...

... bem, tá. Esse é o penultimo jogo de Nintendo 64 nesse blog, e o pobre coitado do console da Big N já foi esnobado o suficiente pelas third parties, toda biblioteca do console não chega a 400 jogos e uma parte não desconsideravel disso são franquias anuais de esporte, ou buchas como mahjong e pachinko. Então suponho que todos concordamos que o N64 não está em posição de ter jogos pulados assim. Por isso, apesar de Shiren 2 realmente ser apenas outro Mystery Dungeon... vamos fazer essa forcinha pelos ultimos dias do velho guerreiro, sim?

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

[Jun/2000] MIDWAY GREATEST ARCADE HITS VOLUME 1 [#1660][#1661][#1662][#1663][#1664][#1665][#1666][#045]

Tá, eu não posso dizer que sou exatamente o maior fã da Midway na história dos fliperamas. Eles incorporam as piores práticas do sistema, criando dificuldade descaradamente roubada (input reading, inimigos que spawnam magicamente, carros que ignoram a fisica do terreno que se aplicam a você) para comer o maior número possível de fichas no menor espaço de tempo possível.

Mas isso não quer dizer que a Midway não tenha uma importancia para a HISTÓRIA dos videojogos... mais ou menos. Digo isso pq em 1988 a Williams adquiriu a Midway, e posterioramente fundiu esta e outras empresas adquiridas (como a Atari Games) sob o nome Midway. E isso importa porque a biblioteca da Williams antes dessas fusões, essa sim é pivotal para o conceito de videojogos modernos. Nesse sentido, essa coletanea em duas partes (que deveria ter uma terceira, mas foi cancelada devido as baixas vendas) é uma preservação histórica muito importante desse legado.

Feita essa explicação, vamos dar uma olhada nos oito títulos que compõe a primeira parte dessa coletanea! (alguns são exclusivos da versão de Dreamcast)

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

[#1658][Nov/2000] MS. PAC-MAN MAZE MADNESS


Suponho que eu vou chocar um total de absolutamente zero pessoas ao dizer que minhas expectativas para Sra. Pac-Homem: No Labirinto da Loucura estavam tão perto do zero absoluto que eu poderia muito bem ter aprendido a Execução da Aurora de Aquário. Quero dizer, a incursão 3D do marido dela, PAC-MAN WORLD: 20th Anniversary Edition, não é exatamente ruim, mas também é… bem… nada. É o tipo de jogo que não deixa absolutamente nenhuma pós-imagem no cérebro. Você termina, segue em frente, e em poucos minutos ele já evaporou da sua memória. Então sim, as expectativas eram inexistentes.

Mas aqui está a coisa: assim como aconteceu nos fliperamas vinte anos antes com MS. PAC-MAN, nossa dama mais uma vez consegue ofuscar o marido. Contra todas as probabilidades, Maze Madness acaba sendo uma aventura até certo ponto confortável, agradável. Talvez “bom” seja uma palavra forte, mas é, tem algo genuinamente agradável neste jogo.

sábado, 24 de janeiro de 2026

[#1654][Nov/2000] SCOOBY DOO! CLASSIC CREEP CAPERS


Nos últimos dias, eu tenho falando muito sobre como, no final dos anos 2000, o PlayStation 1 já estava tossindo sangue no leito do hospital, com seu médico recomendando que ele não evitasse começar livrors muito longos. O PlayStation 2 estava era um fenômeno cultural, o GameCube já se anunciava no horizonte e o Xbox estava ocupado prometendo milagres tecnológicos. O estado da arte havia evoluído. Na prática, a quinta geração tinha terminado e o PS1 fora rebaixado ao status de "console herdado": aquele que as crianças ganhavam quando o irmão mais velho atualizava para o hardware novinho em folha. 

No entanto, eu tenho falando muito menos sobre como o Nintendo 64 não estava exatamente em uma posição muito melhor. Claro, em seus últimos dias, o N64 ainda lutava pela sua vida com títulos genuinamente impressionantes como PERFECT DARK e CONKER'S BAD FUR DAY — mas essas eram exceções. Na maioria dos casos, a situação não era tão diferente do clima de fim de festa do PS1. O calendário de lançamentos estava cada vez mais repleto de títulos baratos e de baixo esforço, direcionados especificamente para crianças, que não eram exatamente o público mais exigente. Jogos projetados menos para impressionar e mais para simplesmente existir nas prateleiras das lojas.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

[#1639][Ago/2000] TUROK 3: Shadows of Oblivion


Tá, vou começar dizendo algo que vai deixar os fãs de Turok pouco apreciadores da minha persona: eu não gosto muito de Turok. Não me entendam mal – eu adoro explodir dinossauros com uma espingarda tanto quanto qualquer pessoa, e eu genuinamente respeito como os dois primeiros jogos tentaram fazer algo diferente. Ambição nunca foi o problema. A execução foi.

TUROK: Dinosaur Hunter original tem alguns dos piores controles que já vi em um FPS, e digo isso como alguém que sobreviveu à era do Nintendo 64 com danos psicológicos mínimos. Quem inventou a mecânica de "spring look" – aquela que recentraliza violentamente sua mira toda vez – tem um lugar especial reservado no inferno. Ela transforma o combate em uma constante luta corporal com o controle, onde você perde pelo cansaço.


TUROK 2: Seeds of Evil pelo menos conserta essa atrocidade, só para substituí-la por outro crime contra os videogames: alguns dos designs de nível mais desengonçados e hostis já infligidos aos jogadores. Imagine níveis tão massivos quanto BANJO-TOOIE, mas empilhados verticalmente como TOMB RAIDER, e então tire qualquer senso de clareza, fluidez ou orientação ao jogador. Você não joga uma fase em Turok 2 – você se compromete com um estágio não remunerado, completo com backtracking e a suspeita de que apenas talvez seu tempo esteja sendo desrespeitado.

Então sim, é seguro dizer que os fãs de Turok provavelmente não vão me indicar para presidente do fã-clube tão cedo. E tudo bem. Mas então, tem algo sim que eu acredito que os fãs de Turok vão concordar 100% comigo: eu posso não ser o maior entusiasta de Turok do mundo, mas de alguma forma eu gosto ainda menos da Acclaim. Porque, sério… mas vamos começar do começo.

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

[#1638][Dez/2000] MARIO PARTY 3


Então. Mario Party. Três. La fiesta de Mario. A festa do Mario. Mario das Fest. Aqui estamos na terceira edição da série que definiu o gênero de party game—mas então, quando foi que a Nintendo tocou em alguma coisa sem definir como se faz um gênero? 

Mario Party 3 é frequentemente apontado como um dos melhores títulos da franquia. E, embora eu sempre seja um pouco cético em relação a qualquer ranking feito por alguém que maratonou mais de vinte jogos do Mario Party de uma vez—nesse ponto, seu cérebro já virou purê de mandioca—eu admito que a reputação não surgiu do nada. Então, Mario Party 3, a última festa no Nintendo 64, é realmente a joia da coroa do Mario Party clássico?

Sim. Absolutamente.
Mas por um motivo bastante incomum.

domingo, 4 de janeiro de 2026

[#1637][Set/2000] POKEMON PUZZLE LEAGUE


Ontem eu publiquei uma review extensivamente longa que absolutamente ninguém pediu sobre POKEMON GOLD/SILVER. Mas enfim, ainda estamos enfiados até o pescoço no coração pulsante da Pokémania, então hoje vamos falar de mais jogos de Pokémon — desta vez com uma reviw curta. Eu prometo.

Pokémon Puzzle League é Panel de Pon com skin de Pokémon.
É isso.
Acabou.
Fim da review.

Viu? Eu disse que seria curta.

[ESPERA, O QUÊ? ISSO NÃO EXPLICA NADA!]

sábado, 3 de janeiro de 2026

[#1636][Nov/1999] POKEMON GOLD/SILVER

DISCLAIMER: Originalmente, essa devia ser a review de "Pokemon Stadium 2" (ou "Pokemon Stadium Gold/Silver"  no Japão). Mas na real, esse jogo é meio que só um update do primeiro POKEMON STADIUM (que na verdade é o segundo), adicionando os novos Pokémons e lideres de ginásio, além de uns minigames novos. Não tem nada tão interessante pra falar dele que não tenha sido dito na review de POKEMON STADIUM original, exceto que os rentals dele conseguem ser tenebrosamente piores aqui (e olha que já eram muito), então não vamos enrolar e focar só no jogo que realmente importa, o original de Game Boy no qual esse é baseado.

Olá, meus queridos, cês tão bão? Pq olha só, aqui estamos nós, finalmente dando inicio aos trabalhos de 2026! E estamos todo e não estamos prosa!

...bom, tá, tecnicamente eu já postei este ano, mas foi sobre BALL BREAKERS e, vamos ser sinceros, ninguém lembra e muito menos se importa com aquele jogo. E com certeza, muito menos eu. Eu joguei, escrevi sobre ele e mesmo assim tive que procurar no meu próprio blog para lembrar o nome do jogo que eu resenhei ontem. Então sim, vamos concordar em contar isso como a primeira resenha VERDADEIRA de 2026, pode ser?

E que maneira de começar o ano. A segunda geração de Pokémon — Ouro e Prata — é profundamente querida para mim. Foi o jogo que eu mais realmente joguei naquela época (o primeiro sendo SUPER METROID, porque glória à rainha badass galáctica). Mais do que isso, ela chegou em um momento muito particular da minha vida.

Veja, nos anos 90, minha família era muito pobre. Não pobre do tipo "não podemos comprar um PlayStation neste Natal", mas pobre do tipo "não podemos pagar a conta de luz e passamos dias no escuro". Esse tipo de pobre. Dramas pessoal à parte, por volta do ano 2000 as coisas estavam um pouco melhores, e eu consegui um PC de segunda — não, terceira... na verdade, mais para quarta mão. Progresso! Claro, era uma máquina tão fraca que nem conseguia rodar um emulador de SNES (eu lembro claramente como o PC inteiro crashava quando tocava o Leene's Bell na abertura de CHRONO TRIGGER), mas rodava jogos de Game Boy. Aha!

E o que um jovem nerd com acesso apenas a um emulador de Game Boy faz? Naturalmente, joguei Pokémon Prata, o então lançamento mais recente na época. Não — risca isso. Eu não joguei. Eu roleplayiei. Eu vivi naquele mundo. 

Eu tinha um diário escrito à mão documentando minhas aventuras: os lugares que visitei, as pessoas que conheci, as pequenas histórias que surgiam pelo caminho. Eu não salvava o jogo em qualquer lugar — quando eu terminava por um dia, eu sentava meu personagem em um banco dentro de um Centro Pokémon para passar a noite. Eu atendia ligações de treinadores e formava opiniões sobre eles, resmungando para minha fiel Ampharos sobre como o Tully era irritante por me ligar às 22h só para anunciar que ele tinha visto um Magikarp. Que bom pra você, camarada!

Mas quando a Lass Dana ligava? Bem... essa era a única vez que uma garota me ligava naquela época. Dá pra dizer que esse foi o ápice absoluto da minha juventude. Arceus, eu realmente era uma criaturinha miserável, não era?

["ERA" É UMA FORMA DE COLOCAR A COISA...]

Tá, não é como se minha vida social hoje esteja exatamente tripudiante. Mas mesmo assim. E quer saber, Jorge? Antes de você, Tinha a Sabrina. Minha Ampharos não era meu Pokémon mais forte, nem tinha a melhor tipagem, mas ela era minha amiga — minha companheira, meu farol no escuro. Sim, trocadilho intencional. Eu sou o rei do que é conhecido como comédia. E eu sei que todo mundo zoa daquele cara do "Entei, tá tudo bem agora", mas no fundo, acho que todo mundo teve esse Pokémon: aquele com quem você sabia que poderia contar para qualquer situação nessa caminhada pela vida. Sabrina era a minha.

E olha, eu não lembro o que comi ontem, mas lembro o nome do meu Pokémon de 25 anos atrás. É o quanto esse jogo significa para mim.

Mas — tá, tá, — muito comovente e tudo mais, toquem os violinos. Não estamos aqui apenas para ouvir minhas histórias tristes. Estamos aqui porque 25 anos se passaram, e um quarto de século inteiro depois, finalmente tenho as ferramentas, a experiência e a distância crítica para analisar este jogo propriamente. Então, vamos dar uma olhada no que realmente bate sob o capô com um Coração de Ouro e uma Alma de Prata.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

[#1633][Mar/2001] AIDYN CHRONICLES: The First Mage


A internet, em toda a sua tóxica sabedoria coletiva, produziu um ditado muito específico que resume acuradamente (palavrinha boa, né? Tô chique) tudo que você precisa saber sobre "Crônicas do Aidyn: O Primeiro Mago". Quer dizer, a mera expressão "RPG no Nintendo 64" já meio que diz a maior parte do que você precisa saber, mas se isso sozinho não triggar alarmes o suficiente, eis o ditado:

"As nossas expectativas eram baixas, mas puta que pariu."

Porque sério.
Sério.

domingo, 7 de dezembro de 2025

[#1614][Set/2000] SABAN'S POWER RANGERS: Lightspeed Rescue


Como você já deve ou não ter percebido a esse ponto, eu sou muito o que os cientistas chamam, usando um jargão estritamente técnico, de um weeaboo. E sempre fui — muito antes mesmo de descobrir que existia uma palavra especifica para "desenhos animados japoneses". Meus programas de TV favoritos quando criança eram os tokusatsu na falecida TV Manchete, especialmente Kyojuu Tokusou Juspion — ou "O Fantástico Jaspion", para os íntimos. E até hoje, mantenho que as lutas do Daileon estão entre as melhores batalhas de tokusatsu já coreografadas. Quer dizer, com que frequência você testemunha uma nave espacial se transformar num robô gigante só para dar um suplex em um kaiju, como se estivesse fazendo teste para o WrestleMania? Lembre disso para (o verdadeiro) Pacific Rim 2, Del Toro. De nada.

E claro que ajuda muito o Akira Kushida esmerilhando

Mas divago. Esse momento de nostalgia é relevante porque eu também cresci assistindo uma tonelada métrica de Super Sentai — sendo Choushinsei Flashman, o famoso "Comando Estelar" sendo meu favorito pessoal. E sinceramente, dá pra me culpar? Eles tinham armas únicas, trajes chamativos e, mais importante, um robô que usa a carreta de um caminhão-baú como armadura. Um caminhão. Como armadura. Isso aí é o ápice do encantamento infantil.

Eu sempre racho como o monstro olha pro tamanho da munalha do robozão e fica "Senhor, calma senhor, a gente pode conversar, também não precisa ser assim na violencia também, né..."

Então, quando eu assisti Power Rangers pela primeira vez em 1994, não foi exatamente uma experiencia chocante. Minha reação foi basicamente: "Ah, tá. É daqueles programas japoneses... mas trocaram o elenco não transformado por americanos porque os americanos são inseguros desse jeito". Na época eu usei uma expressão menos polida, temo dizer. Mas o ponto é que não ajudou em nada o fato de eu estar mergulhado — e quero dizer, numa profundidade nível Fossa das Marianas — na minha fase otaku hardcore, onde qualquer coisa que não fosse japonesa ia automaticamente para a lata de lixo do meu gosto refinado de dez anos.

Claro, eu nem era um pré-adolescente naquela época. Hoje, como um adulto plenamente funcional, amadureci imensamente. Agora eu acho que tudo é lixo, inclusive as coisas japonesas. É brincadeira. Sério. Não sou esse tipo de cara. Sinceramente, eu realmente tento ser positivo. Tento gostar das coisas, porque quanto mais coisas você gosta, mais coisas você tem que podem te fazer feliz. Certo? Então eu abordo tudo com a mente mais aberta possível —

— e mesmo assim, mesmo com uma mente mais aberta que a de um candidato à próxima reencarnação de Buda, ainda não consigo me forçar a gostar de Power Rangers.

Mas suponho que o dever chama, e ainda tenho que falar sobre isso. Então vamos ser rápidos.
Na verdade, não — 
Vamos fazer isso... na velocidade da luz.
Pegou o que eu fiz? Hein?
Hein?

sábado, 6 de dezembro de 2025

[#1613][Dez/1999] BOMBERMAN 64: The Second Attack!

"Bomberman 64: O Segundo Ataque" não é realmente o segundo ataque, considerando que esta é tecnicamente a terceira aventura estrelada pelo adorável terrorista favorito de todos no N64. Mas então, a Hudson Soft estava lançando tantos títulos de Bomberman naquela época que eu não posso culpá-los por perderem a conta e se esquecerem do BOMBERMAN HERO. Qualquer um que já jogou aquela coisa sabe que "esquecível" é seu nome do meio. Mas divago.

E já que estamos no tema de títulos enganosos, suponho que eu deva dizer que este também não é realmente Bomberman 64, porque não é a sequência dos sessenta e três jogos anteriores de Bomberman. Quer dizer... talvez seja? Eles ordenharam esse pobrezinho tão selvagemente que, na época em que o BOMBERMAN 64 original saiu, quele era o terceiro jogo do Bomberman lançado em menos de três meses. Se vacas produzissem jogos em vez de leite, a PETA teria uma conversinha com a Hudson. Enfim — onde eu estava? Certo. Mentiras. Enganação. 

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

[#1609][Out/2000] BATMAN BEYOND: Return of the Joker

Hoje é um daqueles dias. AQUELES dias. O tipo de dia em que você acorda, pensa nas coisas que tem pra fazer e, em vez de fazer uma escolha saudável para sua vida – como lembrar sua pele de como é a luz do Sol ou beber água –, decide lutar contra um dos fantasmas mais infames dos videogames. A Baba Yaga da quinta geração. Aquele que não devemos nomear sussurrado sempre que alguém menciona "beat'm ups" e "jogos licenciados" na mesma frase. Sim… hoje vamos mergulhar em Morcegohomem Além: Retorno do Coringa, o bobo, o palhaço, o Joker.

Porque se você já ouviu falar algo sobre esse jogo, provavelmente ouviu que é pior que câncer. Na bunda. Do seu cachorrinho. E eu sei que essa é uma escalada anatômica muito específica para um videogame, mas essa é a reputação que essa coisa cultivou ao longo de duas décadas de memes, reviews revoltadas no youtube e trauma de infância.

Mas… é realmente tão ruim assim? Um jogo pode realmente ser tão desgraçadamente pestilento arruaceiro gato polar assim? É o que vamos descobrir hoje… Embora eu não tenha certeza do porquê eu quero descobrir. Minhas escolhas de vida são altamente questionáveis, para dizer o mínimo. Mas enfim! Vamos começar com uma pesquisa básica: qual versão eu devo jogar? Este é um lançamento multiplataforma, afinal de contas, e certamente uma delas deve ser… menos pior? Eu então perguntei isso ao Google, e essa foi a resposta que obtive:

…Ah.
Jesus no pogobol...
Isso é sério? A "melhor" versão é a do Game Boy Color? Um portátil pouco mais poderoso que um Nintendinho? As versões de PS1 e N64 são piores que algo que rodaria em um Phantom System?

... eu só me fodo nessa merda mesmo, viu... 

sábado, 22 de novembro de 2025

[#1601][Mar/1998] DENSHA DE GO! 64

Sabe qual é o meu setup gamer dos sonhos? Sim, porque acredite ou não, eu realmente penso em jogar videogames que não são peças de museu de 25 anos de idade dedicadas a escolhas de game design  altamente questionáveis. Difícil de imaginar, eu sei. Mas o meu ponto é: eu tenho um sonho – um que envolve um volante de corrida de verdade com force feedback, um conjunto de pedais, e o Euro Truck Simulator como o jogo da escolha.

Isso mesmo. Nada de uma narrativa épica, nada de mecânicas de gameplay alucinantes, nem mesmo uma waifu pixelada sussurrando o carinho humano que eu jamais terei na vida no meu ouvido. Não. Apenas... dirigir. Talvez eu colocasse uma música, me acomodasse na cadeira, apertasse o volante e pronto. Junte um headset de VR e eu basicamente estou feito para a vida. Porque eu genuinamente gosto de dirigir, sabe? E já que é muito provável que eu nunca vá cruzar casualmente pelas autobahns europeias em uma tarde de sabado ensolarada, um jogo que me permite simular essa liberdade pacífica é a perfeição. Uma experiência meditativa em forma digital. E, considerando o quão populares esses jogos de "direção relaxante" são, claramente eu não sou o único – nem o primeiro – a ter essa fantasia contemplativa gamer. Mas... por que estou compartilhando meu setup idílico? Porque essa é a melhor forma que eu tenho para você entender o apelo de "Vamos de Trem! 64". 

sábado, 15 de novembro de 2025

[#1595][OUT/1999] TRANSFORMERS: Beast Wars Transmetals

Em 1996, um pequeno estúdio de animação canadense chamado Mainframe Entertainment era, de repente, a coisa mais quente do quarteirão. Por quê? Porque eles tinham acabado de entregar uma série de televisão inteira usando apenas gráficos gerados por computador — algo que ninguém jamais tinha ousado tentar antes — e todos os grandes estúdios de Hollywood imediatamente estavam salivando por isso.

[EU NÃO SABIA QUE AS GRANDES EMPRESAS ERAM TÃO FÃS ASSIM DO DESENHO "REBOOT"...]

O que? Ah, não. Eles odiaram. Eu já escrevi uma review inteira sobre REBOOT (e seu terrível, pavoroso jogo de PS1 tie-in, sangue de Michal Bay tem poder!), mas a versão resumida é esta: os executivos da TV norte-americana tradicional não estavam preparados para um desenho animado que ousava ser serializado, ambicioso e — o mais absurdo dos absurdos — emocionalmente coerente. Naquela época, a doutrina sagrada era que desenhos animados deviam ser barulhentos, brinquedáveis e voltada para crianças em uma faixa etária que ainda acha que cola é um grupo alimentar. Ação pesada, arcos de personagem e — que a Matrix nos livre — relacionamentos de verdade eram um grande NÃO-NÃO.


Por causa disso, ReBoot passou sua existencia em um purgatório de exibições irregulares e interferências das emissoras. Então não é essa recepção conturbada que fez as grandes corporações de repente venerarem a Mainframe. Não, o que eles adoravam — o que realmente os fazia babar — era que a animação em CGI era barata. Barata de um jeito ofensivo, se comparada com a animação desenhada à mão.

E a razão é bem simples: uma vez que você constrói um modelo 3D e o coloca em um motor de renderização, o trabalho difícil acabou. Você pode fazer aquele personagem pular, dançar a conga ou fazer ele dar uma requebradinha sem ter que redesenhar um único quadro. Claro, a animação tradicional tem seus truques para economizar (e estúdios de anime ou a Hanna-Barbera poderiam dar uma aula de três créditos sobre esse assunto), mas nada se compara à economia a longo prazo de reutilizar rigs e assets em uma programação semanal de TV. CGI não era uma escolha estilística — era um milagre fiscal. As crianças curtirem a aparência legal e futurista era um bônus, a economia de orçamento era o verdadeiro ponto de venda.

Porque se tem uma coisa que as corporações amam mais do que dinheiro, é fazer esse dinheiro gastando o mínimo possível. E nenhum titã corporativo sem alma ama maximizar lucros mais do que a Hasbro. Quando seus executivos perceberam que poderiam anunciar linhas inteiras de brinquedos usando orçamentos de desenho animado da era 80 de novo, seus olhos se encheram de cifrões tão rápido que eles devem estar travados com essa aparencia atá hoje.

O que nos leva à conclusão inevitável: era o momento perfeito para descongelar os Transformers para que eles pudessem transformar e rolar... ou bem, maximizar e aterrorizar desta vez.

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

[#1591][Mar/2001] CONKER'S BAD FUR DAY

Bem, para a review de hoje—

... espera, não. Não, não. Essa não é a maneira certa de começar. Se vamos fazer isso, vamos fazer adequadamente. Jorge, por favor... coloque a trilha sonora.

Bem, aqui estou eu... C, o Rei. Rei de todos os jogos. Quem iria imaginar, hein? Eu, sentado no topo deste trono de cartuchos quebrados e latas de cerveja, olhando para a terra desolada de jogos de plataforma que não passaram de 2001. Mas como cheguei a isso, você pergunta? Quem são aqueles estranhos títulos que me rodeiam, aquelas mascotes caídas com seus olhos mortos e sorrisos congelados? Ah, sim. Isso você também pergunta.

Pois então. Chegue mais perto. Sente-se, sirva-se de um bom copo de leite gelado e deixe-me contar. É uma longa história. Tudo começou... em março de 2001. E que dia foi aquele! É o que eu gosto de chamar de... a  bad fur day! 

[a câmera dá close em mim, reclinado em uma poltrona de veludo, com um copo de leite na mão, usando óculos escuros dentro de casa]

sábado, 11 de outubro de 2025

[#1571][Jul/2000] MARIO TENNIS


Um dos meus maiores prazeres ao analisar esses jogos em ordem cronológica é conhecer o início humilde de coisas que hoje damos como garantidas nos games. É como escavar o registro fóssil das ideias — você começa a ver quando e como certas tendências surgiram antes de se tornarem algo tão básico que nem consideramos mais que poderia ser de outra maneira.

Por exemplo: é difícil imaginar hoje, mas houve uma época em que o Mario não tinha um registro em carteira de trabalho de todos os esportes que a humanidade conhece. Antes do beisebol, do basquete, do futebol e até mesmo daquele crossover olímpico profano com o Sonic — sim, aquela coisa que era heresia nos anos 90, mas que virou uma franquia de verdade em 2007 — a carreira atlética em 2000 era bem mais humilde.


O primeiro grande passo foi MARIO GOLF, de 1999. E, como mencionei naquela review, eu fiquei genuinamente chocado ao descobrir que MARIO GOLF era... bem, um jogo de golfe. Bem, dã, revelação chocante, eu sei. O que diabos eu estava esperando?

Eu acho que estava esperando o que hoje associamos ao pensar nos títulos esportivos do Mario: power-ups absurdos, movimentos caóticos que quebram o jogo e um elenco de personagens, cada um equipado com alguma habilidade ridícula (e ocasionalmente injusta) que transforma o esporte inteiro em um sonho de verão a lá Looney Tunes. Mas MARIO GOLF não era assim. Era golfe — golfe de verdade, golfe raíz, golfe moleque, golfe toco-y-mi-voy — exceto que Tiger Woods foi substituído pela Daisy, e Arnold Palmer trocado pelo Luigi. E, honestamente, esses são os únicos dois golfistas de verdade que eu conheço, então vamos seguir em frente com isso.

Então, talvez, apenas talvez, a mudança de paradigma aconteceria no próximo lançamento. Será que Mario Tennis finalmente injetaria mais Mario e menos Tênis na fórmula? Será que a Camelot finalmente surtaria e entraria no frenesi de conga do reino dos cogumelos? Bem, é isso que vamos descobrir a seguir.

sábado, 4 de outubro de 2025

[#1567][Dez/1998] HEY YOU, PIKACHU!


Cara, 2025 tem sido um ano muito mais louco nesse blog do que eu poderia ter esperado. Quer dizer, a Sega, justo ela, basicamente se tornou minha nova melhor amiga depois de anos de batalhas da morte mortífera (e, honestamente, eu ainda não consigo entender quem achou que prender um peso-morto no Knuckles transformaria KNUCKLES CHAOTIX em um produto que venderia o 32X). Então, o que falta acontecer realmente? O que poderia superar essa estranha nova amizade com meu velho inimigo?

Um jogo ruim da Nintendo?
Pff. Até parece...

terça-feira, 5 de agosto de 2025

[#1523][Dez/1999] CUSTOM ROBO

Nos últimos dias, eu estive mergulhado em reviews — jRPGs densos, mergulhos profundos em franquias de 40 anos e gigantes que mudaram os jogos para sempre. Então, hoje vamos respirar fundo e tentar algo leve, algo simples, algo toco-y-mi-voy.

Entra Custom Robo para o Nintendo 64 — um jogo que pergunta: "E se Pokémon fosse sobre pequenos robôs assassinos customizáveis?"