quinta-feira, 29 de outubro de 2026

[#1851][Ago/2002] SUPER MONKEY BALL 2


Quando meu pai tinha a idade que eu tenho hoje, ele já estava com a vida praticamente resolvida. Tinha uma esposa (que, por acaso, calha de ser a minha mãe), dois filhos, dois carros, uma casa grande. Sabe como é, aquele pacote completo do adulto que “venceu na vida”, que eu cresci acreditando ser o destino natural de qualquer ser humano minimamente funcional.

E eu? Bem, eu tenho bolas de macaco.

Mas não são bolas de macaco comuns, veja bem. Ah, não, eu não fracassei TANTO assim! São SUPER BOLAS DE MACACO. E não é uma, são DUAS! Sim, talvez eu não tenha uma casa, um carro, filhos, amigos e definitivamente não uma esposa... mas aqui estou eu, sentado sozinho no meu quarto, escrevendo sobre bolas de macaco. De novo.

Como diabos a minha vida chegou a esse ponto?

“É, eu sei como é. Também não foi exatamente essa a vida que eu sonhei para mim, garoto.”

Olho para o lado e lá está a Sega, dando uma longa tragada num cigarro, com aquele olhar perdido de mil jardas de quem viu coisas. Coisas que vocês não acreditariam. 

E quer saber? Eu te entendo, Sega.  Sério mesmo.
...
Meu Deus.
EU ENTENDO A SEGA. É NISSO QUE A MINHA VIDA SE TRANSFORMOU?!

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

[#1850][Set/2002] SLY COOPER AND THE THIEVIUS RACCOONUS


Ontem, quando escrevi sobre Retorno ao Castelo do Lobostein, eu disse que sempre tento entender o que um jogo tem a dizer, por que aquele jogo existe além de "alguém uma hora vai pagar 60 dinheiros por ele". Também expliquei que isso não significa que todo jogo precisa necessariamente reinventar a roda, revolucionar o gênero ou apresentar uma discussão profunda sobre as mazelas da frágil existência humana neste ciclo interminável de sofrimento ao qual estamos mortalmente presos nesta rocha orbitando uma bola de gás.

Mas... que tipo de jogo seria esse, afinal?

terça-feira, 27 de outubro de 2026

[#1849][Nov/2001] RETURN TO CASTLE WOLFENSTEIN


Quando eu jogo um jogo e estou pensando em como analisar ele, talvez a pergunta mais importante que me ocorre é a seguinte: pra que esse jogo existe? Claro, tem alguns casos como um Criticom da vida que ela é seguida de outra pergunta: não, sério, pra que mesmo?

Sim, eu entendo o sentido comercial da coisa, entendo que videogames são produtos, que empresas precisam ganhar dinheiro e que desenvolvedores tem essa mania irritante de querer comer três vezes por dia e morar em casas com eletricidade, esses folgados. Mas então, videogames não são pão. 

[QUANDO A GENTE ACHA QUE JÁ VIU TODO TIPO DE FRASE ALEATÓRIA NESSE BLOG...]

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

[#1848][Abr/2001] ANIMAL CROSSING

Videogames existem para permitir que realizemos nossas fantasias mais absurdas.

Em Grand Theft Auto, você pode roubar carros, enfrentar a polícia e transformar uma cidade inteira no seu reino do caos. Em Final Fantasy, você pode atirar uma bola de praia na fuça de Deus... e, de alguma forma, salvar o mundo fazendo isso. Em Doom, você pode ir literalmente ao Inferno e ser a coisa mais assustadora de lá, tornando-se o bicho-papão sobre o qual as mamães-demônio contam histórias para seus filhotes-demônio antes de colocá-los na cama.

E, dentre todas essas fantasias irrealistas, nenhuma — eu garanto, NENHUMA — chega perto do absurdo inconcebível que Animal Crossing oferece: ter uma casa própria, conhecer seus vizinhos pelo nome, conseguir pagar sua hipoteca e viver uma vida gratificante.

Tá, aí cês tão forçando a suspensão da descrença, meus queridos.

domingo, 25 de outubro de 2026

[#1847][Out/2003] JUDGE DREDD: Dredd vs. Death


Imagine que eu lhe proponha um sistema de governo no qual uma força policial de rosto coberto, fortemente armada, tem poderes para interpretar a lei, julgar e executar as próprias sentenças na rua mesmo, sem precisar prestar contas a ninguém. Uma polícia que não pergunta, não ouve, apenas prende, bate e, se necessário, atira. Não raramente, atira também quando não é necessário. A guerra é contra o crime, e a definição de crime vai se expandindo até incluir qualquer um que discorde do que o Estado decidiu que é bom para você.

Obviamente, estamos falando de um regime fascista opressor, e é muito fácil apontar esses sujeitos como os vilões da história. Bem, sim. O que é menos fácil é explicar por que tantas pessoas anseiam por esse futuro, não apenas na ficção como na vida real.

Do fundo da gaveta