Uma das coisas mais difíceis de se fazer na escrita criativa é o que chamamos de "desconstrução de gênero". Isso porque a desconstrução de gênero não é uma paródia, nem uma sátira. É pegar as premissas centrais de um gênero e perguntar a sério: "Certo, se as coisas realmente funcionassem desse jeito… quais seriam as consequências?". Claro que para isso funcionar, tanto o autor quanto o público tem que estar profundamente familiarizados com os tropos do genero — do contrário a discussão perde todo o sentido.
O exemplo mais clássico é provavelmente Neon Genesis Evangelion. Garotos de catorze anos pilotando robôs gigantes para lutar contra abominações sobrenaturais já era um elemento básico da cultura de anime há décadas, geralmente retratado como algo legal, heroico, até mesmo inspirador. O garoto entra no robô, salva a humanidade, ganha admiração, talvez fique com a garota. Mas isso é realmente legal? Você ainda é um adolescente. Seu cérebro não está totalmente desenvolvido, suas emoções são uma bagunça, e agora sua rotina diária envolve enfrentar horrores incompreensíveis cujo único propósito é te despedaçar da maneira mais violenta imaginável. Suponho que ninguém aqui já tenha tido uma monstruosidade lovecraftiana tentando arrancar suas entranhas — não posso dizer que eu tenha passado por isso —, mas suponho que todos podemos concordar que viver isso todos os dias soa muito menos como "eu queria ter essa vida!" e muito mais...























