Quando eu digo que por volta de 2001 o PS1 tinha avia se tornado um videogame "legado", não quero dizer isso de forma derrogatória. Não que eu saiba realmente o que "derrogatória" significa — mas soa negativo, e é essa energia que estamos mirando. O que eu quero dizer é o seguinte: quando a sexta geração chegou, os holofotes seguiram em frente. O PS2 foi o fenômeno que foi, enquanto o Xbox e o GameCube eram as coisas novas e interessantes do pedaço.
Então, o que sobrou para o betinha PS1? Basicamente, ele se tornou o console "herdado" pelos irmãos mais novos depois que o mais velho fez o upgrade, ou a opção econômica para famílias de olho no orçamento. E isso não é necessariamente algo ruim. Ter um ponto de entrada acessível para os jogos é saudável para a mídia. Mas então, também não podemos ignorar que o PS1 não era mais o estado da arte da indústria. Em 2001, pouquíssimas publicadoras (pra não dizer nenhuma) estavam realmente interessadas em injetar grana de verdade para levar o PS1 ao seu limite. O futuro da plataforma havia se restringido em grande parte a jogos licenciados baratos, shovelware ainda mais barato… e, claro, os infinitos jogos de Army Men.
Agora, embora isso possa não parecer muito atraente da perspectiva de um jogador hardcore, isso não condenava automaticamente todo lançamento de baixo orçamento. Existe um meio-termo onde jogos de baixo custo ainda podem oferecer um valor justo, e este é o nicho que a Take-Two tentou ocupar em 2001 com sua linha econômica de jogos a US$ 9,99. A proposta era honesta: "Olha, esses jogos são medíocres e a gente sabe… mas custam dez pila." Era uma proposta bruta, mas razoável. Nenhum desses títulos provavelmente conseguiria uma nota acima de 5/10, claro — mas por menos de dez dólares num jogo novo, a equação de custo-benefício fazia um certo sentido. E naquele ponto da vida do PS1, essa era a realidade do mercado. Pegar ou largar.
Entre essa cambada de pechinchas está uma série em particular que mais tarde se tornaria famosa por uma razão muito estranha. Em 2012, um estúdio então pouco conhecido chamado Yager Development pegou a antiga franquia de baixo orçamento Spec Ops dessa leva e a transformou num sombrio e filosófico jogo de tiro militar fortemente inspirado pelo livro "No Coração das Trevas" (ou "Apocalypse Now", se você preferir seu terror existencial com helicópteros). O resultado foi Spec Ops: The Line.
Até hoje, continua sendo um dos grandes momentos do tipo "como fomos parar aqui?" dos games. Reviver a antiga marca Spec Ops — uma linha de jogos que nunca almejou mais que "a engine funciona, tá mais que bom" — para algo tão ambicioso parece quase uma piada interna. Talvez haja algum simbolismo escondido aí. Talvez não.
Mas isso é um mistério para outro dia. Porque hoje, não estamos falando do primo artístico que fez terapia em 2012. Estamos falando do shovelware de grau industrial que começou toda essa coisa e que orgulhosamente não almejava nada mais ambicioso do que custar menos que um hambúrguer com batata frita: Operações Especiais: Patrulheiro de Elite.


























