A transição da era 2D para a 3D nos jogos foi um pouco como a transição de Hollywood do cinema mudo para o falado: um monte de estrelas foi do tapete vermelho para catar moedas na calçada praticamente da noite para o dia. Vários nomes gigantes da quarta geração descobriram que os polígonos haviam tornado seu conjunto particular de talentos fora de moda — e eu não acho que muitas franquias que antes eram blockbusters tenham sofrido tão duramente quanto Contra.
Quer dizer, a quinta geração não foi exatamente gentil com o nosso velho C flamejante, com CONTRA: Legacy of War e C: The Contra Adventure sendo... bem, certamente dois dos videogames já feitos. Vamos colocar assim.
Mas havia um problema real enterrado debaixo de toda aquela miséria: como exatamente você moderniza Contra para três dimensões sem perder aquilo que faz Contra ser Contra? Bem, essa era uma pergunta que a Konami claramente não sabia responder... e, francamente, nem eu.
Enquanto testavam bugs de RAYMAN 2: The Great Escape, Michel Ancel e sua equipe na Ubisoft Montpellier encontraram um glitch que permitia pegar carona no navio pirata que voa por cima do mundo do jogo e viajar audaciosamente indo onde nenhum mascote francês sem braços jamais esteve. Obviamente que eles corrigiram o problema, porque isso aqui não é Superman 64, mas Ancel ficou fascinado com a sensação de escapar dos limites do mundo e ir brincar de Backrooms no vazio na quinta geração.
Só que a ideia do seu próximo jogo, o “Project BG&E”, acabou ficando ligeiramente mais ambiciosa, e por “ligeiramente” eu quero dizer “completamente insana para um hardware que começava a gritar de terror sempre que você pedia para renderizar mais grama”. Ancel queria um mundo sem fronteiras, com cidades, montanhas, vilas, veículos e paisagens enormes pelas quais você simplesmente pudesse viajar. No auge da ambição, o conceito ia além de um único planeta: ele imaginava jogadores entrando em veículos, decolando e viajando entre diferentes mundos, essencialmente enfiando um universo inteiro explorável dentro de um videogame da sexta geração. O que soa muito como alguém propondo No Man's Sky quinze anos antes de No Man's Sky (especialmente no seu lançamento) descobrir que prometer um universo inteiro traz certas desvantagens logísticas.
Hoje vamos falar sobre um jogo muito, muito especial — daqueles que aparecem apenas quando as estrelas estão certas. Um daqueles jogos que não apenas são sucessos como games, mas que furam a bolha dos videogames e entram para a cultura popular. Quer dizer, sua mãe pode não saber nada sobre videogames além de Pac-Man, Mario e aquele rato amarelo da Nintendo, mas é bem provável que ela já tenha ouvido falar pelo menos sobre aquele jogo de tiro de LAN House onde... bem, as pessoas atiram umas nas outras. E bem, essa não é uma descrição totalmente errada: Counter-Strike realmente é um jogo sobre duas equipes tentando se matar no pipoco, não é exatamente Dostoievski tb né.
Mas... ... como sempre, o "mas" é o que realmente importa, não é?
Porque Counter-Strike nasceu durante a era de ouro dos shooters competitivos para PC. Ele surgiu em um mundo já dominado por gigantes como QUAKE 3 ARENA e UNREAL TOURNAMENT, jogos que praticamente escreveram o manual de como fazer um FPS multiplayer. Mais de vinte e cinco anos se passaram desde então, e aqui estamos nós em 2026... onde Quake e Unreal são lembrados com carinho por entusiastas retrô, mas Counter-Strike não é apenas uma relíquia nostálgica acumulando poeira na história dos games. Ele continua sendo um dos maiores jogos competitivos da Terra, com torneios internacionais lotando estádios, milhões de espectadores assistindo online e literalmente mais de um milhão de jogadores online na Steam nesse exato momento (sim, eu acabei de checar, aqui é jornalismo-verdade rapá!)
Até porque se você é um Charlinho Brasileirinho como eu (e não tem como não ser, quem mais leria esse texto além de IAs comendo qualquer porcaria na internet pra alimentar seu banco de dados?), provavelmente eu não preciso explicar o quão absurdamente popular Counter-Strike foi, e ainda é. Na verdade, mais provavelmente ainda são as chances de você conhecer o jogo mais do que eu pq CS não foi apenas mais um jogo de PC por aqui — ele se tornou parte da própria cultura das Lan Houses e por tabela, dos anos 2000. Para uma geração inteira, "ir para a lan house" e "jogar Counter-Strike" eram sinonimos. Esse jogo atravessou classes sociais, apresentou inúmeras crianças ao multiplayer online e moldou o Brasil como uma das nações mais fortes do cenário competitivo de CS do mundo.
IEM Rio 2026 reuniu 16 finalistas de Counter-Strike com premiação de US$ 1 mi agora em abril/2026
Então, em vez de fingir que eu posso te ensinar alguma coisa que vc já não saiba sobre Counter-Strike, vou fazer o que eu sempre faço quando este humilde blogueiro tropeça em um dos pilares que mudaram a cultura como a conhecemos (como fiz na minha resenha de HARRY POTTER E A PEDRA FILOSOFAL): eu vou só fazer uma pergunta bem simples:
Por que ESTE jogo?
Sério, por que milhões de pessoas ainda estão jogando um jogo de 1999? Sim, ele recebeu atualizações, updates nos gráficos, ajustes de balanceamento e até sequências, mas seu design básico permanece ainda é essencialmente o que Minh Le e Jess Cliffe desenharam mais de um quarto de século atrás.
Por que Counter-Strike, especificamente?
Por que não QUAKE 3 ARENA? Por que não UNREAL TOURNAMENT? Por que nenhum dos outros dezenas de arena shooters se tornou o fenômeno mundial que ajudou a definir os e-sports modernos e os jogos online competitivos?
No início dos anos 2000, os jogos de estratégia em tempo real (RTS) eram a realeza absoluta no PC. Bem, talvez dividindo o trono com os jogos de tiro em primeira pessoa, mas o RTS era o gênero que os jogadores de PC podiam ostentar como algo que os consoles jamais conseguiam replicar tão bem. Era a joia da coroa da plataforma, a relíquia sagrada que Aquele Que Não Tem Vida™ ostentava com orgulho como prova de que os verdadeiros gamers deviam estar atrás de um mouse e teclado, enquanto os peasants imundos dos consoles apertavam botões em feliz ignorância.
E para além desses muros bem gate-keepeados, dois reinos em guerra com filosofias muito diferentes lutavam com unhas e dentes pela coroa do RTS. De um lado estava a Westwood Studios, crentes no poder da quantidade: COMMAND & CONQUER se expandia em múltiplas linhas do tempo, spin-offs, lançamentos anuais, pacotes de expansão — você não conseguia chutar uma arvore sem cair outro jogo do C&C. A Blizzard, por sua vez, preferia a abordagem de sniper: eles não tinham pressa para dar um único tiro bem colocado. STARCRAFT foi lançado em 1998, e a Blizzard não lançou outro RTS por quase quatro anos. Estratégias diferentes, mesmo objetivo: o domínio completo do gênero. E por alguns anos gloriosos, o campo de batalha foi um verdadeiro banho de sangue.
Então aqui estamos nós, quatro anos depois de STARCRAFT ter dominado todas as LAN parties do planeta, e o mundo dos jogos de PC está babando para ver o próximo movimento da Blizzard. Bem... qual foi exatamente o próximo movimento deles?
A primeira coisa que você precisa saber sobre Guerra dos Fabricantes 3: Reino da Quizumba é que é um RTS. Revelação chocante, eu sei. Parem as prensas. Mas, mais importante, Warcraft III não é simplesmente WARCRAFT 2: Tides of Darkness com gráficos mais bonitos, novas unidades e orcs com resolução mais alta — embora, sim, tecnicamente seja tudo isso também. A Blizzard não estava interessada em só fazer uma sequência maior, eles queriam repensar o que um RTS poderia realmente ser enquanto faziam a Westwood parecer um bando de poliglotas.
O que foi exatamente o que eles fizeram, saiba você, mas... como?
Se você fosse perguntado qual foi a maior série de crossover dos anos 2000, provavelmente teria dificuldade em escolher entre KING OF FIGHTERS, da SNK, ou a linha MARVEL VS CAPCOM, da Capcom. Qualquer que seja sua resposta, não seria uma escolha errada. Mas eu, pessoalmente como o "floquinho de neve especial" da quebrada, vou escolher uma coisa completamente diferente.
Veja, eu sou uma criança da Nintendo. Cresci com o Nintendinho. SUPER METROID foi a minha casa. E até hoje eu me emociono jogando Super Mario Odyssey, porque aquele jogo não é só um jogo de plataforma—é uma celebração de uma história compartilhada. Da minha história. Então, como você pode imaginar, a série SUPER SMASH BROS. ocupa um lugar muito especial no meu coração. Abençoado seja, Masahiro Sakurai.
Mais do que um simples jogo de luta, Smash Bros. é um museu jogável do legado da Nintendo—desde suas humildes origens nos anos 1980 até o que muitos consideram o ápice dos videogames com LEGEND OF ZELDA: Ocarina of Time. E quero dizer isso literalmente. Mr. Game & Watch é um personagem de fato jogável. Pense nisso por um segundo. O quão mais eles podem voltar mais do que isso? Vamos desbloquear o Ultra Hand depois? Um baralho de cartas Hanafuda jogável? Sakurai, essa ideia foi de graça. Mas onde eu estava? Ah, sim. Super Manos da Porrada. Corpo-a-Corpo.
Depois de entregar o que se tornou o quinto jogo mais vendido do Nintendo 64—um sucesso que, no início de 1999, ninguém realmente esperava de um jogo tão despretensioso—Sakurai jogou uma água na cara, olhou no espelho e disse: "Certo. Agora é pra valer."
E pra valer foi. Em julho de 1999, o documento de design estava pronto.
[O GAMECUBE NÃO LANÇADO ATÉ DOIS ANOS DEPOIS, ACHO QUE NEM EXISTIA UM DEVKIT PARA TRABALHAR NESSE JOGO]
Não existia. Duvido muito que ele sequer sabia quais seriam as especificações do GC. Mas o Sakurai não se curva à realidade, a realidade se curva à sua Sakuforça de vontade!
Que crimes a princesa Peach cometeu contra esta senhora, é algo que apenas podemos imaginar
Quando o GameCube foi lançado em 2001, Smash Bros. não era mais um joguinho despretensioso e sim a carta na manga da Nintendo para as festas de fim de ano. E a aposta valeu espetacularmente a pena. O jogo se tornou o título mais vendido do sistema, com mais de sete milhões de cópias em todo o mundo e se transformou em algo ainda mais impressionante: não apenas blockbuster, mas uma instituição competitiva que sobreviveria ao console que o gerou.
O que nos leva a questão óbvia: por que Melee? Por que exatamente esta edição—não a original, nem mesmo as posteriores com elencos maiores e valores de produção mais chamativos—se tornou a experiência definitiva de Smash Bros. para toda uma geração? Bem... é exatamente isso que vamos descobrir.!
Cara, a Nintendo realmente é uma coisa diferenciada, né?
Quando um novo console era lançado antigamente, a Nintendo tinha a tradição de colocar o nosso encanador bigodudo favorito como título de lançamento. Os jogos do Mario sempre foram feitos de cair o queixo e deixar bem claro que uma nova geração estava começando, e como consequencia fazer crianças do mundo inteiro sentirem "eu PRECISO desse console AGORA MESMO" para atormentar os pais. NES? SUPER MARIO BROS. SNES? SUPER MARIO WORLD. Nintendo 64? SUPER MARIO 64. Então, naturalmente, como a tradição exigia, todo mundo assumiu que o GameCube seguiria o exemplo com um jogo de plataforma novinho do Mario no lançamento, certo?
... espera, não. Não, não. Essa não é a maneira certa de começar. Se vamos fazer isso, vamos fazer adequadamente. Jorge, por favor... coloque a trilha sonora.
Bem, aqui estou eu... C, o Rei. Rei de todos os jogos. Quem iria imaginar, hein? Eu, sentado no topo deste trono de cartuchos quebrados e latas de cerveja, olhando para a terra desolada de jogos de plataforma que não passaram de 2001. Mas como cheguei a isso, você pergunta? Quem são aqueles estranhos títulos que me rodeiam, aquelas mascotes caídas com seus olhos mortos e sorrisos congelados? Ah, sim. Isso você também pergunta.
Pois então. Chegue mais perto. Sente-se, sirva-se de um bom copo de leite gelado e deixe-me contar. É uma longa história. Tudo começou... em março de 2001. E que dia foi aquele! É o que eu gosto de chamar de... a bad fur day!
[a câmera dá close em mim, reclinado em uma poltrona de veludo, com um copo de leite na mão, usando óculos escuros dentro de casa]
Era uma vez, há muito, muito tempo… (sim, estou usando duas aberturas clichês de uma vez — lidem com isso) havia um jovem inocente, cheio de sonhos e esperanças. Esse jovem era eu. E a época era outubro de 2024.
[VOCÊ REALMENTE PERCEBE QUE “HÁ MUITO, MUITO TEMPO” FOI SÓ UM ANO ATRÁS, NÉ?]
O tempo funciona de maneiras misteriosas, Jorge. Quem realmente pode medir o tempo?
[BASICAMENTE TODO MUNDO. RELÓGIOS EXISTEM DESDE 1200 A.C., SABIA?]
Mistérios insondáveis, eu te digo. Enfim, meu ponto é: lá em outubro de 2024, eu fiz a review do POWER STONE original e meus pensamentos finais foram estes:
Eis o que eu penso, no fim do dia: Power Stone tem todas as fundações para um jogo de luta realmente divertido, basta apenas agora adicionar conteúdo nele. Mais lutadores, mais arena, mais cenários interagiveis, mais itens, mais ataques malucos e especialmente, mais jogadores - esse jogo urra por um modo para 4 jogadores.
Se a Capcom jogar suas cartas direito, eu tenho certeza que Power Stone 2 pode só adicionar essas coisas e ser um dos mais divertidos jogos de luta de todos os tempos. Não que Power Stone, esse primeiro jogo, não seja um bom jogo, mas ele realmente é meio que como o primeiro DIABLO ou o primeiro FALLOUT: A Post Nuclear Role Playing Game, ele é a fundação do que pode vir a ser algo genuinamente espetaculindo.
Porém isso permanece a ser visto nas cenas dos próximos capítulos.
Pois bem… aqui estamos. O próximo capítulo chegou, e Power Stone 2 está em nossas mãos. Então, Power Stone 2 se tornou aquela coisa verdadeiramente espetacular que eu acreditava que poderia ser?
Um dos meus maiores prazeres ao analisar esses jogos em ordem cronológica é conhecer o início humilde de coisas que hoje damos como garantidas nos games. É como escavar o registro fóssil das ideias — você começa a ver quando e como certas tendências surgiram antes de se tornarem algo tão básico que nem consideramos mais que poderia ser de outra maneira.
Por exemplo: é difícil imaginar hoje, mas houve uma época em que o Mario não tinha um registro em carteira de trabalho de todos os esportes que a humanidade conhece. Antes do beisebol, do basquete, do futebol e até mesmo daquele crossover olímpico profano com o Sonic — sim, aquela coisa que era heresia nos anos 90, mas que virou uma franquia de verdade em 2007 — a carreira atlética em 2000 era bem mais humilde.
O primeiro grande passo foi MARIO GOLF, de 1999. E, como mencionei naquela review, eu fiquei genuinamente chocado ao descobrir que MARIO GOLF era... bem, um jogo de golfe. Bem, dã, revelação chocante, eu sei. O que diabos eu estava esperando?
Eu acho que estava esperando o que hoje associamos ao pensar nos títulos esportivos do Mario: power-ups absurdos, movimentos caóticos que quebram o jogo e um elenco de personagens, cada um equipado com alguma habilidade ridícula (e ocasionalmente injusta) que transforma o esporte inteiro em um sonho de verão a lá Looney Tunes. Mas MARIO GOLF não era assim. Era golfe — golfe de verdade, golfe raíz, golfe moleque, golfe toco-y-mi-voy — exceto que Tiger Woods foi substituído pela Daisy, e Arnold Palmer trocado pelo Luigi. E, honestamente, esses são os únicos dois golfistas de verdade que eu conheço, então vamos seguir em frente com isso.
Então, talvez, apenas talvez, a mudança de paradigma aconteceria no próximo lançamento. Será que Mario Tennis finalmente injetaria mais Mario e menos Tênis na fórmula? Será que a Camelot finalmente surtaria e entraria no frenesi de conga do reino dos cogumelos? Bem, é isso que vamos descobrir a seguir.
Olha só como a vida tem coisas engraçadas: acabei de terminar Diablo II exatamente três anos depois de escrever minha review do DIABLO original. 23 de setembro de 2022—quase uma vida inteira atrás, quando eu penso nisso. Tanta coisa mudou desde então, e há tantas coisas que eu faria diferente se tivesse a chance... mas uma coisa que eu NÃO mudaria é a minha opinião geral sobre o primeiro jogo: a Blizzard acertou em tudo ao redor de DIABLO em 1996—exceto na jogabilidade em si.
O que quero dizer é o seguinte: a atmosfera, a apresentação, a lore — tudo isso é estelar. A trilha sonora gotejava melancolia e loucura, criando um clima que parecia saído de Lovecraft e que mais tarde ecoaria no DNA do que hoje chamamos de jogos "soulslike". A construção do mundo também era impressionante para a época: uma terra sombria e condenada, presa entre a guerra infinita do Céu e do Inferno, onde nenhum dos lados é verdadeiramente bom. Até a pixel art se sustenta surpreendentemente bem hoje, com suas sombras pesadas e escuridão opressiva.
Mas aí vinha a parte que você deveria, você sabe, jogar o jogo. Os layouts das masmorras se repetiam infinitamente. As classes não tinham profundidade. A variedade de loot era superficial. E a velocidade de movimento do personagem—pelo amor de Baal—parecia que você estava assistindo a uma lesma com andador. Naquela época, cheguei a uma conclusão simples: se a Blizzard pudesse preservar tudo o que funcionava—o tom, a música, a lore, a arte—e realmente consertar a mecânica central, eles poderiam muito bem acabar com um dos maiores jogos já feitos.
Desde então a Blizzard passou os próximos quatro longos anos cozinhando e, no ano 2000, nos serviu Diablo II. Mas seria a tão esperada segunda vinda do (anti)Cristo que todos esperávamos? Ou apenas mais um falso profeta, destinado a decepcionar?
Thief II: The Metal Age é o tipo de review mais difícil de escrever. Por quê? Porque é um dos melhores jogos de stealth já feitos mas não tenho um monte de coisas espirituosas para destrinchar sobre ele. Este não é um jogo que reinventa a roda, e sim um que pega a roda de seu antecessor, dá uma boa polida e garante que ela continue rodando na maciota.
E eu não discordo do que foi feito aqui. O THIEF: The Dark Project original não inventou o stealth, mas trouxe tantas coisas que ainda são usadas hoje que você pode muito bem dar crédito a ele. Claro, títulos anteriores como METAL GEAR SOLID e TENCHU: Stealth Assassins vieram antes e lançaram as bases, mas foi THIEF: The Dark Project foi quem traçou a planta baixa do que um jogo de stealth deveria ser. Luz e sombra não eram apenas para gráficos bonitos — eram mecanicas que separavam vida ou morte. O som não era apenas um floreio atmosférico — era seu inimigo ou seu escudo. O resultado foi um projeto tão eficaz que mesmo títulos modernos como Dishonored, Splinter Cell e até mesmo o reboot da série Hitman devem metade de seu DNA as ladinagens do nosso mano Garrett.
Então, aqui está a pergunta: como você faz a sequencia de um jogo que já reescreveu o gênero? A resposta é bastante simples, na verdade: você não conserta o que não está quebrado. E foi exatamente isso que a Looking Glass Studios fez com Ladravas 2: A Era do Metaaaaaal. Eles simplesmente se concentraram no que funcionava, refinaram as mecânicas, expandiram o design das missões e entregaram uma sequência que parece menos uma aposta e mais um mestre artesão aperfeiçoando suas ferramentas.
O escritório está abarrotado de kits de desenvolvimento, monitores CRT e fluxogramas de aparência ameaçadora com o rótulo "Alocação de Memória RE2 – NÃO TOQUE". Um punhado de desenvolvedores da Factor 5 se esparramam em pufes ou se encontram desfalecidos sobre as mesas, olhando para a tela brilhante onde Claire Redfield acabou de se afastar em direção ao pôr do sol pela milésima vez.
DEV 1 (olhos tremendo, voz rouca):
Ok, conseguimos. RESIDENT EVIL 2 roda no Nintendo 64. Em um cartucho. Com dublagem. Acho que vi Deus durante a última passagem de compressão.
DEV 2 (esfregando as têmporas):
Não, foi só o devkit pegando fogo de novo. Mas é, socamos dois CDs em 64 MB. Então... o que vem a seguir? Dominar o mundo?
[Todos param e olham fixamente. Um dos CRTs faz “piiiii” e morre. Som de alguém claramente pegando uma faca]
DEV 1 (lentamente):
Cale essa sua boca blasfema.
DEV 2 (sério):
Mesmo que conseguíssemos fazer a Square assinar um pacto suicida em forma de contrato... Você quer enfiar 3 discos, centenas de fundos pré-renderizados e todos os daddy issues do Cloud em um cartucho do N64?
DEV 3 (dando de ombros):
Só dizendo. Já somos cientistas loucos. Poderíamos muito bem tentar necromancia.
DEV 4 (olhos injetados, falando sem tirar os olhos da tela):
E TOMB RAIDER? Propriedade intelectual grande. 3D. Quebra-cabeças. A anatomia mais triangulada do mundo.
DEV 1:
A Eidos ia querer nossas almas. E nossos rins. E provavelmente metade dos da Nintendo também. De jeito nenhum eles nos deixariam chegar perto da Lara.
[Pausa. Silêncio. Um cooler explode ao fundo.]
DEV 2 (lentamente):
Espera... a gente ainda tem aqueles contatos antigos da LucasArts, certo?
DEV 3 (confuso):
Acho que sim... mas como TOMB RAIDER encaixa com Star Wars?
A LucasArts tem aquele jogo da Infernal Machine para PC, certo? 3D completo, quebra-cabeças, armas, armadilhas, física de chicote... basicamente TOMB RAIDER, mas com mais ousadia e menos polígonos.
Exatamente. Indy tem reconhecimento de marca. O jogo já está pronto. Só precisamos portá-lo.
DEV 3 (recostando-se):
E por "só", você quer dizer "enfiar 600 MB de tecno-linguagem babilônica/monólogos soviéticos e 15 fases cada uma do tamanho de uma ilha inteira de Banjo-Kazooie em um cartucho do tamanho de uma empada?"
DEV 1:
Senhores... liguem para a LucasArts.
DEV 4 (sorrindo nervoso):
Vocês querem mesmo comprimir uma máquina de morte interdimensional inteira em 32 megas?
DEV 1 (já pegando o telefone):
Comprimimos um apocalipse zumbi. Isso vai ser… um passeio no parque.
DEV 4:
Claro. Esse parque fica em Osasco, mas claro.
[Ouve-se um trovão do lado de fora da janela. A sala se ilumina brevemente como um laboratório de ciências maluco. Com maior ou menor grau de desespero, todos concordam silenciosamente.]
A Casa dos que Comeram Capim Pela Raiz — também conhecida como The House of the Dead — é uma das franquias mais longevas e tradicionais da Sega. Desde 1996, já são mais de 18 jogos lançados, com o mais recente, House of the Dead 2: Remake, saindo agora em 2025. Ou seja, a série está mais viva do que nunca... e todo mundo já sabe a piadoca que eu vou fazer aqui sobre uma franquia de zumbis. Podemos seguir adiante.
ESPERA, SE É UMA FRANQUIA TÃO GRANDE, COMO VOCÊ NUNCA FALOU DELA? ESPECIALMENTE VOCÊ, QUE NÃO PERDE UMA CHANCE DE FALAR MAL DA SEGA?
Primeiramente, Jorge... ouch. Minhas análises são sérias, equilibradas e absolutamente imparciais.
AHAM, SEI...
Segundamente — e aqui vai a real — eu nunca falei de House of the Dead por um motivo muito simples:
Eu não falo de shooters on rails porque... honestamente, eu acho esse gênero insuportavelmente chato de jogar. Simples assim, meu blog, minhas regras. Não é nem (dessa vez) culpa da Sega. É só que esse tipo de jogo nunca me pegou. Mas Zombie Revenge? Bem, esse é um zumbi de uma cor inteiramente diferente.
DISCLAIMER: Tecnicamente, essa review deveria ser de System Shock 2 que saiu em 1999, esse é o jogo que saiu na Gamers. Entretanto poucas coisas são mais ingratas que rodar um jogo de computador de 1999, usualmente isso é nada senão sofrimento e dor. A boa notícia é que foi anunciado um remaster enhanced para 2024 desse jogo, a noticia não tão boa é que ele foi adiado e até a data desse post não há uma previsão oficial - a estimativa é que ele lance em algum ponto de 2025... espera-se.
Bem, pero no hay problemo, amiguemo, porque em 2023 foi lançado um remake do primeiro System Shock de 1994. Enquanto o remake atualiza os gráficos e principalmente a interface (felizmente, mais sobre isso daqui a pouco), ele não mexe quase nada no level design e na estrutura do jogo e isso me serve muito. Por isso, sem mais delongas, é hora de CHOQUE DE SISTEMA OLHA AQUI PEDERNEIRAS AI AI!
Me diga se essa cena lhe é famíliar: você acorda em uma cidade isolada do mundo. Você não sabe o que, exatamente, aconteceu mas sabe que o pau tá cantou na casa de Noca. Corpos (frequentemente em pedaços) por todo lado, mutantes loucos correndo por aí, pixações nas paredes com palavras de ordem de algum tipo resistencia, papeis espalhados e caos em toda parte. Parece que algum tipo de revolução aconteceu e claramente os mocinhos não venceram.
Sem saber o que caralhas está acontecendo, você começa a andar pelos corredores claustrofóbicos armado da primeira coisa que você encontrou pelo caminho: uma chave inglesa - que logo é posta em uso amaciando o maxilar dos já citados mutantes selvagens. Ao longo do caminho você vai encontrando trechos de audios e emails de pessoas que provavelmente não estão mais vivas que te fazem começar a entender o que porra aconteceu ali. Isso tudo em um jogo de tiro em primeira pessoa.
HÃ, TÁ, ESSA É A DESCRIÇÃO DE BIOSHOCK. É UM JOGO BEM FAMOSO, TODO MUNDO CONHECE ELE.
Certo... exceto que o ano aqui é 1994. Mais especificamente, setembro de 1994, o Brasil ainda está de ressaca pelo tetra, o Plano Real é um sucesso e o dolar vale R$ 0,70 e Cavaleiros do Zodíaco é a coisa mais quente na televisão.
Estando a tantos anos rodando nessa indústria vital, é inevitável que eu já tenha esbarrado com nome "Heroes of Might and Magic" algumas vezes, e como não iria? Existem oito desses jogos, mais um prometido para 2025, mais DLCs, mais três MMO, mais três linhas de spin-offs... não tem como não ouvir falar de HoMaM em algum momento da sua vida gamer. A coisa é, no entanto, que eu nunca soube sobre o que exatamente eram esses jogos. Tipo, eu nem realmente sabia que genero de jogo eles eram, o que você você efetivamente faz neles!
BEM, E AGORA QUE TU JOGOU O JOGO E SABE, O QUE ELE É? UM RTS? UM 4X DE TURNOS? UM RPG TÁTICO?
Jogo número mil trezentos e trinta e três nesse blog, e para a review de um numero bonito assim hoje temos um jogo igualmente bonito assim. Isso porque hoje é dia de falar dele, o tão aguardado jogo do...
De reunir um grupo de personagens extraordinários, para que quando a Nintendo precisasse de um jogo de luta, eles travassem as batalhas que ela não conseguíria. Era chamada de Iniciativa Smash Bros. A ideia era reunir um grupo de personagens extraordinários e ver se elas poderiam se tornar algo mais.
Em 1998, John Nintendo - dono das indústrias Nintendo - estava contando seu Nintendomoney recebeu uma ligação estranha da sua secretária: havia uns caras que queriam ve-lo. Isso não era a parte estranha, a presença de John Nintendo era requisitada quase o tempo todo, o que era estranho era quem queria ve-lo: os caras da Hudson.
QUEM?
Foi exatamente o que John Nintendo se perguntou, Jorge. Aí ele lembrou de quem eram, os caras que faziam os jogos de BOMBERMAN e mais especificamente ainda, no ano de 1998 tinham lançado quatro jogos no intervalo de menos de um ano: BOMBERMAN 64, BOMBERMAN WORLD, BOMBERMAN HERO e BOMBERMAN WARS. Ou seja, pra lançar um jogo a cada três meses mais ou menos os caras já não sabiam o que era dormir fazia muito tempo.
Tutorial de como fazer uma festa, 1998 style
Por isso não foi com surpresa que John Nintendo recebeu um bando de caras desgrenhados, com olheiras profundas e cheiro de café molhado em sua sala. Ainda sim a Nintendo tinha uma boa relação com a Hudson e eles não podiam se dar ao luxo de espantar mais desenvolvedores - dado a escassez de lançamentos para o Nintendo 64. Assim sendo, John Nintendo decidiu ouvir qual era, afinal, a proposta dos caras.
Ao que um homem de olhas maníaco de ser mais café com energético a esse ponto, barba por fazer a tres semanas e hálito de quem vive de pizza a quatro semanas, disse em uma voz rouca e gutural: "FESTA DURO".
Confuso, John Nintendo perguntou sem entender o que ele tinha ouvido: "Festa... duro?", ao que o homem desmazelado confirmou sem piscar: "FESTA. DURO." E assim nasceu o jogo de hoje.
Vocês tão de sacanagem com a minha cara, só pode. Não tem outra explicação. Eu digo isso pq no texto sobre GRIM FANDANGO, eu fiz um texto todo bonitinho explicando sobre o fim dos point'n click, sobre como aquele jogo terminava uma era, sobre como esse era o ultimo grande título do genero e tal. Moh fofinho o meu texto e pah.
Aí o que a Take Two faz depois disso, sem a menor consideração sobre o meu texto? Foi e investiu um caminhão de dinheiro para fazer um point'n click que é uma superprodução de qualidade estelar, apenas e exclusivamente pra me deixar com cara de tacho. Sim, foi exclusivamente apenas por isso. Mas essa sacanagem da Take Two a parte com a minha pessoa, sobre o jogo em si, bem, sim, é um baita de um puta de um jogo. Mais sobre isso a seguir.
No final de 1997, a SNK decidiu finalmente aposentar sua placa de arcades Neo Geo velha de guerra (que havia sido criada em 1990, sete anos e ainda dando no couro) e abraçar a nova geração com um hardware novinho em folha chocolatante para impressionar meninos e meninas pelo país.
E assim nasceu não apenas a placa HYPER NEO GEO 64 (que eu juro que não inventei esse nome, até pq se dependesse de mim teria um "Blaster Plus of Doom" aí), como o jogo que seria o carro chefe da nova tecnologia, SAMURAI SHODOWN 64.
Eu contei toda essa história na review de SAMURAI SHODOWN 64, obviamente, mas o ponto aqui é que erros foram cometidos - diversos - sendo os principais é que a placa era abusivamente cara (justamente quando as placas da SNK emplacaram por serem baratas com um sistema de cartuchos), e o jogo que vendia ela era... um dos jogos já feitos.
SAMURAI SHODOWN 64 é essencialmente o primeiro jogo de SamSho (o SAMURAI SHODOWN de 1993 mesmo) só que com gráficos 3D. Alguns tapas de modernidade aqui e acolá, mas no cerne era o mesmo jogo de quatro anos atrás. Não é nem que o jogo é ruim, apenas que é um jogo com as mecanicas de QUATRO ANOS antes adaptado para o 3D, meh. O que, obviamente, não se tornou um sucesso de crítica e publico.
Pois muito que bem, passados alguns meses desse evento, a SNK meio que respirou fundo e admitiu sonoramente: "Senhores, não existe outra forma mais branda de colocar isso: fizemos merda". Ou seja, SS64 2 é essencialmente eles mandando um "errei, fui mlk".
E assim sendo, Duelo dos Samurais 64: Guerreiros Boladões foi a forma da SNK correr atrás do prejuízo... embora o ditado deveria ser correr atrás do lucro, pra que alguém iria correr atrás de ter mais prejuízo? Mas enfim, divago.
AS REGRAS
Todos os jogos publicados nas revistas Ação Games, Super Game Power e Gamers (matérias completas e previews se tiverem mais de um parágrafo e não forem mais que 3 numa página) serão jogados e resenhados, salvo algumas exceções:
1. Gêneros que não serão resenhados:
- Shmups;
- Simuladores de veículos em geral;
- jRPGs apenas em japonês;
- Shooters on rails;
- Arena FPS/TPS;
- Pinball;
- Esporte (incluindo corrida e wrestling);
2. Sistemas que não serão resenhados: MSX e portáteis.
3. Jogos lançados em vários sistemas só serão resenhados novamente se forem radicalmente diferentes.
4. Uma vez por mês (de revistas) eu me reservo o direito de pular um jogo. Seja porque não pensei em nada interessante para falar, porque não consegui fazer funcionar ou porque não tô afim.
Dito isso, aos trabalhos! GIT GUD SCRUB!