Eu vou ser bem sincero com vocês, dada a opção de escolha eu teria começado o ano com algo incrível, algo chocolatante, algo fleugmático para dar uma energia geral de good vibes. Mas como o mundo que queremos não é o mundo que temos, então vamos começar com o que a casa oferece pq antes feito do que perfeito, né?
Então, como eu já disse mais de uma vez, na reta final do ciclo de vida do PS1, ele mal fazia parte da conversa ainda. O PlayStation 2 não foi apenas um novo videogame — foi um evento. Um momento cultural tão grande que até pessoas que não ligavam pra videogames se sentiram obrigadas a comprar um. Comparado com esse acontecimento, o PlayStation original de repente parecia... datado.
Alguns desenvolvedores trataram esse momento como uma turnê de despedida — FINAL FANTASY 9 em julho de 2000 sendo o exemplo mais digno. Outros tentaram espremer até as últimas gotas de uma vaca que já estava definhando, como TOMB RAIDER: Chronicles em novembro do mesmo ano. Mas, no geral, esse barco já tinha zarpado. Os jogadores hardcore e a mídia especializada já estavam de olho no futuro, e o público remanescente do PS1 era em grande parte composto por irmãos mais novos que "herdaram" o console velho assim que o PS2 chegou ou gente que não tinha condições de comprar o estado da arte dos videogames e pegava o que entrava na liquidação.

Então, por que estou falando tudo isso? Porque os desenvolvedores não eram cegos a essa realidade, e alguns deles ajustaram ativamente suas estratégias para mirar esse novo público reduzido. Veja a Take-Two Interactive, por exemplo, com sua linha "Games for $9.99". Numa época em que os jogos de PS1 ainda custavam entre 40 e 50 dólares, um jogo novo por dez mangos era genuinamente chamativo.
Claro, por esse preço você não esperava experiências AAA de tirar o fôlego. Mas um jogo funcional, mais ou menos, nota 3/5, por dez dólares? Isso não era um mau negócio — especialmente para pais comprando algo barato para manter os filhos ocupados, ou para gente que só tinha o PS1 pq não tinha dinheiro para algo melhor em primeiro lugar. A própria lista de jogos conta a história. Entre os títulos estavam:
* Kiss Pinball
* Motocross Mania
* Spec Ops: Ranger Elite
* Action Bass
* Ball Breakers
* HIDDEN & DANGEROUS
* Saltwater Sportfishing
* Big Bass Fishing
* The Italian Job
* Austin Powers Pinball
* Spec Ops: Airborne Commando
* Big Strike Bowling
* Patriotic Pinball
* Motocross Mania 2
* ATV Mania
* Ford Truck Mania
* MTV Celebrity Deathmatch
* Dora the Explorer: Barnyard Buddies
Como podem ver, o padrão é bem sólido: jogos de pinball, tie-ins baratos, títulos de corrida de baixo orçamento e shovelware licenciado até onde a vista alcança. Nada sofisticado, nada ambicioso — mas, pode-se argumentar, justo pelo preço pedido. Esses não eram jogos feitos para definir uma geração; eram feitos para ocupar espaço nas prateleiras de liquidação e fazer o PS1 arrancar uns ultimos trocados. E hoje, quero falar sobre uma das entradas mais estranhas de toda essa linha: "Quebra Bolas" — ou "MoHo" como foi originalmente chamado na Europa e teve que ser adaptado pra um nome menos idiota nos EUA, porque é claro que a Europa não podia dar um nome decente pra alguma coisa pelo menos uma vez na vida.