Aqui estamos nós, e não estamos sós porque hoje é dia de despedidas no blog: vamos falar do último jogo lançado pela Bullfrog Productions. Ah, Bullfrog, a lendária empresa que construiu sua reputação sobre simuladores de gerenciamento bizarros e viciantes, o tipo de jogo que soava meio idiota no papel, mas que, de alguma forma, se tornava impossível de parar de jogar depois que você entendia o loop da coisa. E grande parte dessa identidade estava ligada à personalidade maior que a vida de Peter Molyneux — designer de jogos, visionário da indústria e um homem mais lembrado pelo entusiasmo pouco saudável por prometer o impossível. Sob sua influência, a Bullfrog tornou-se conhecida pela maravilhosamente estranha linha de jogos "Theme", e eu sempre tive um carinho especial por títulos como THEME PARK e THEME HOSPITAL, ambos que conseguiram transformar tarefas mundanas de administração em algo deliciosamente videogame.
Mas quando o último projeto da Bullfrog estava realmente em desenvolvimento, o estúdio já estava apagando as luzes, as cadeiras empilhadas sobre as mesas, e a sensação de que a festa estava terminando. Grande parte da equipe original já havia partido há muito, e o relacionamento com a empresa-mãe, Electronic Arts, era… digamos, "tenso", da maneira que as relações corporativas costumam ser quando estúdios criativos e grandes corporações sem alma tentam coexistir. Muitos desses desenvolvedores seguiram Molyneux quando ele saiu para fundar a Lionhead Studios, um estúdio que carregou uma boa parte do DNA da Bullfrog para a próxima geração. Essa linhagem acabaria produzindo jogos como Black & White, que parecia muito com a escola original da Bullfrog.
Mas divago. De volta ao suposto canto do cisne: esse jogo é essencialmente Theme Park 3, mas não realmente pq o departamento de marketing não conseguiu decidir como queria chamar a coisa. Na Europa, foi lançado como Theme Park Inc, enquanto nos US and A saiu com o nome de SimCoaster. Porque simplesmente chamar sua sequência pelo nome óbvio — e torná-la reconhecível como a próxima entrada de uma série querida — teria sido simples demais. Deus nos livre de os jogadores entenderem imediatamente que este era a terceira entrada da franquia Theme Park.
Mas seja qual for o nome que você conheça estamos falando do mesmo joguinho: o suspiro dos simuladores de gerenciamento da Bullfrog, lançado num momento em que o estúdio que o criou já estava com um pé fora da porta. E esse contexto melancólico paira sobre toda a experiência.



























