Oh, Deus.
É... porque você sabe que coisas boas estão vindo por aí quando alguém começa uma review com "oh, Deus", né? Mas é, Army Men... de novo. A esse ponto, a série se tornou a hidra dos videogames: você analisa um desses produtos genéricos produzidos em uma linha de montagem, e mais dois aparecem para tomar o seu lugar. E agora eu estou no meio de um Zerg Rush da The 3DO Company com Army Men 589 ou qualquer outro número que ninguém mais se importa em contar. Então, vamos tratar isso como o band-aid que é e arrancá-lo rápido.
Sarge's Heroes 2, para ser justo, implementa uma série de melhorias que o tornam um jogo com controles melhores que o original. A câmera vira com uma velocidade adequada (ela ainda dá uma ou outra tremida que dá vertigem, mas não com tanta frequência), e as texturas geralmente ficam transparentes para impedir que você desapareça atrás das paredes. Dito isso, você ainda vai frequentemente se deparar com uma tela cheia de pixels borrados e de baixa resolução mais sim do que não, então não espere muita coisa também. Enquanto isso, as funções de mira automática e strafe tornam a tarefa de metralhar os vilões Tans razoavelmente indolor, suavizando o que poderiam ser combates um tanto desajeitados.
Às vezes, até indolor demais. Os inimigos comuns raramente oferecem resistência, e os chefes se resumem a encontrar a munição pesada obviamente posicionada (geralmente granadas, o lança-foguetes ou o lança-chamas), despeje tudo e siga em frente. Há muito pouca tensão ou improvisação envolvida. Paradoxalmente, mortes baratas são comuns – especialmente em seções claramente projetadas para tentativa e erro. "Ops, uma aranha caiu na minha cabeça e me matou instantaneamente – acho que não vou por ali de novo." Vire uma esquina e seja torrado por um lança-chamas em menos de um segundo – anotação mental. Ou então as charmosas bordas invisiveis não claramente marcadas nas quais você pode cair para fora do mapa. Encantador.
O design das missões ocasionalmente tenta quebrar a monotonia com objetivos de escolta, segmentos de resgate e as obrigatórias buscas por chaves para destrancar portas. Mas não se engane: a esmagadora maioria do jogo ainda se resume a atirar em qualquer coisa que seja marrom e capaz de se mover. Army Men tem várias frases que definitivamente não soam bem quando você diz em voz alta. Seja como for, a melhor forma de entender esse jogo é fechar os olhos e imaginar o third person shooter mais genérico possível... e, sinceramente, sua versão provavelmente ainda é mais imaginativa do que, sei lá, essa quinta sequência de Army Men produzida em menos de um ano. Você atira, avança e, em algum momento, começa a se perguntar por que acabou de passar uma hora da sua vida em um jogo do Army Men que originalmente pedia quarenta dólares pelo privilégio.
Quanto à história... bem, o que posso dizer? Isto é Army Men. Não sei o que você estava esperando, mas qualquer coisa além de "basicamente nada" pode sugerir que vc reveja seus conceitos. Dito isso, Sarge's Heroes pode ser o meu... "favorito" é uma palavra generosa demais... digamos a versão menos terrível do Army Men entre as várias sub-séries. Uma coisa que ele faz melhor do que a maioria dos títulos é não se levar tão a sério. Os jogos ocasionalmente abraçam a absurdidade inerente de que os Verdes e os Marrons são, de fato, soldados de plástico. Por causa disso, a série adora mergulhar no que trata como uma "dimensão alternativa" – também conhecida como mundo real.
Isso leva a alguns dos cenários visualmente mais divertidos do jogo, onde os soldados lutam em cozinhas gigantes, quartos e quintais. Claro, esses não são ambientes superdimensionados – nossos heróis são apenas pequenos brinquedos de plástico correndo por espaços humanos normais. É um conceito que a série, sem dúvida, deveria ter explorado ainda mais, porque sempre que objetos do mundo real e outras linhas de brinquedos entram no campo de batalha, as coisas ficam brevemente mais interessantes. Há pelo menos um lampejo de imaginação aqui.
Nesta edição, o general marrom Plastro descobre um portal para uma loja de brinquedos e volta com uma linha de robôs de brinquedo, o que é tratado como uma grande escalada na corrida armamentista do Army Men. É pulp, é bobo e, sinceramente, essa autoconsciência faz alguns favores ao jogo. Vou até dar algum crédito às cenas. Sarge's Heroes 2 entende, pelo menos em algum nível, que essa premissa é uma grande tolice e a trata como tal. As cinematicas não se levam muito a sério, e essa leveza as torna mais assistíveis do que você poderia esperar dessa franquia. Não são exatamente imperdíveis, mas têm charme cafona suficiente para manter seus olhos na tela.
Infelizmente, se você está jogando no Nintendo 64, tirou o palitinho curto. As versões para PS1 e PS2 têm cenas CG de verdade, enquanto os donos do N64 ficam presos a cenas com a engine do jogo e legendas – funcionais, mas uma queda notável que torna a história já fraca ainda mais básica. Mas então, ainda é Army Men, não espere muito disso... nem de nada, na verdade. O jogo é tão genérico quanto os soldadinhos de brinquedo "made in Taiwan" que o estrelam, e obviamente que a versão do PS2 não é um jogo da sexta geração - diabos, mesmo as versões de PS1 e N64 dificilmente seriam o que dá pra chamar de ápice dos gráficos das suas respectivas gerações.
O meu ponto é que explorar uma marca em si não é tanto o problema, tanto que a Nintendo continua lançando jogos do Mario – e você consegue lembrar de um realmente ruim de cabeça? Provavelmente não, porque eles geralmente garantem que cada lançamento traga algo novo para a mesa e só colocam aquele nome em algo que atinge um certo padrão de qualidade. Claro, talvez o mundo não estivesse exatamente de joelhos implorando por Mario Party 5, mas você entendeu a ideia.
Enquanto isso, a The 3DO Company continua produzindo títulos Army Men no que parece ser uma linha de montagem industrial. O que você obtém no final parece menos um projeto impulsionado por uma visão criativa e mais algo aprovado depois de uma reunião de marketing e uma revisão de planilha. Ele atinge os pontos esperados, marca as caixas familiares e vende unidades apenas com base no reconhecimento do nome – mas a centelha simplesmente não está lá. E quando o desenvolvimento é guiado por quantidade e não qualidade ou ambição, um jogo nota 10 provavelmente não está nos planos tão cedo.
MATÉRIA NA AÇÃO GAMESEDIÇÃO 155 (Setembro de 2000)
EDIÇÃO 078 (Setembro de 2000)




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