Como diria o grande filosofo dos nossos dias, Joseph Climbert, "a vida é uma caixinha de surpresas". Isso porque estamos na review numero OITOCENTOS, rumo aos 5 anos de blog e veja só você, eis que me deparo com um jogo que eu absolutamente não sei como classificar ele.
Com efeito, eu nunca vi um jogo como Crossed Swords 2 e até onde me consta, jamais verei novamente. A vida é, de fato, uma caixinha de surpresas.
Então vamos direto ao ponto: que tipo de jogo é esse Espadas Cruzadas 2? Bem, imagine se puder um jogo de boxe com visão atrás do lutador - como SUPER PUNCH OUT ou TOUGHMAN CONTEST.
Toughman Contest, jogo de boxe para o 32X
Todos comigo até aqui? Ótimo. Até aqui simples, existe um bom número de jogos de boxe com essa premissa. Agora imagine que no lugar de boxe, você é um guerreiro com espada. Mecanicamente não muda tanto, mas vai anotando aí.
Okay, agora ao invés de ser uma luta 1x1 imagine que é um tipo de galery shooter que inimigos ficam pulando na tela, mas ao invés de atirar nele com o cursor vc tem que bater neles corpo a corpo com essa versão medieval de jogo de boxe... Então ele é meio DYNAMITE DUKE, meio TOUGHMAN CONTEST só que com toques de beat'm up... carai biriguim, que bagulho doido de explicar. Embora na prática seja um jogo muito simples:
Antes de entrar em maiores detalhes sobre o jogo, entretanto, eu gostaria de aproveitar que esse é um jogo exclusivo do Neo Geo CD (embora uma versão para arcade tenha sido desenvolvida e seja fácil encontrar a rom dela, acabou sendo abortada) e fazer um comentário sobre esse sistema. Mais precisamente, sobre o tempo de loading desse sistema:
Sério, olha o tempo de loading dessa porra mano! Eu sei que a gente ficou mal acostumado a tudo rodando em SSD hoje em dia, mas qualé SNK, mesmo para 1995 isso era uma atrocidade! (só ver que o Playstation e o Saturn não tinham essa demora toda não)
Nossa história aqui é que o Coisa do Quarteto Fantástico, ou um daqueles soldados de argila do Krang das Tartarugas Ninja, um dia tatuou olhos de Osíris sobre seu peitoral malhado e rebitado (?!?):
O que é mais do que nossos heróis podem tolerar! Assim o Nindjas Gaiden (há!), a Arlequina e um tiozinho texano medieval partem em uma jornada contra essa putaria de pintar os peitos!
... quer dizer, eu sei lá, é um jogo arcade-ish para Neo Geo, você já sabe o que esperar, mal ancestral, heróis da justiça, zero referencias disso durante o gameplay, a coisa toda. Não vamos perder mais tempo com isso do que os desenvolvedores perderam (que foi bem pouco) e vamos adiante.
O botão A ataca, o botão B pula e B+direcional dá uma esquiva e finalmente C controla a magia, que é limitada e varia conforme o personagem que você escolhe: o ninja consegue acertar caras no fundo da tela, a Arlequina acerta vários inimigos e o texano medieval acerta um único inimigo mas por um longo tempo. Como é de costume, eles também variam em velocidade e força, sendo a guria mais rápida mas causando menos dano e toda aquela coisa que você já deve até ter decorado de beat'm ups da vida até esse ponto.
E tal como nos jogos de boxe (não, eu não tirei a comparação da bunda dessa vez), você pode defender ataques altos ou baixos apertando pra cima ou pra baixo.
E... é isso o jogo, basicamente. Como é comum aos jogos de arcade (embora esse jogo não tenha sido lançado para o arcade per se, foi feito com a mentalidade de arcade) não existe evolução, apenas aumento da dificuldade para comer sua ficha: o que você fará na primeira tela será repetido até a última.
A coisa mais interessante para se fazer nesse jogo é ver as coisas que ele joga contra você: desde bullywugs de D&D até aguas vivas voadoras e... hyper-ratos?
... e o que quer que ISSO seja:
Tá bom, né. Kudos pela criatividade, isso tem que ser dito. Outra coisa que diferencia um pouo é que conforme você mata os inimigos ganha experiencia e ouro. A experiencia é inútil pq vc perde tudo quando morre, mas o ouro serve para comprar armas melhores ou mesmo comprar níveis (já que a experiencia é inútil como eu disse, até os desenvolvedores reconhecem isso).
Esse jogo é tão arcade que o shop tem um timer pro jogador não ficar ocupando a máquina a vida toda, a SNK só sabe fazer arcades mesmo quando não faz um arcade. A lojista é uma cocotinha, thou
Mas aí você deve estar se perguntando: isso é suficiente para manter o seu interesse no jogo por uma hora inteira?
Espadas Cruzadas 2 não é um jogo ruim ou mal feito, longe disso - a animação é bacaninha até - mas ele definitivamente foi feito para ser jogado em doses homeopáticas de 2 minutos por ficha. No console, a magia da coisa toda desmorona rapidamente.
Sabe, agora que eu estou nesse projeto a algum tempo eu meio que percebi que a SNK e a Sega são parecidas, e em última instancia ambas falharam pelos mesmos motivos: elas nunca realmente entenderam consoles domésticos. Ambas empresas, tanto a SNK quanto a Sega, são muito fortes nos arcades no Japão (com efeito, a Sega ainda é fortíssima nos arcades japoneses até HOJE) e elas sempre acharam que o segredo do sucesso era repetir a experiencia de jogar uma ficha por 2 minutos e ter um jogo para jogar em casa com todo tempo do mundo na sua sala era a mesma coisa.
Tanto que ambas se orgulham, e estampavam as capas de seus jogos, anunciando a experiencia "Arcade". Mas eu vou te dizer o que: ter um arcade em casa não é algo tão divertido assim. É curioso por 2 minutos (o tempo que dura uma ficha) e funciona para jogos de luta, mas não para todo o resto.
Esse Espadas Cruzadas 2 aqui ilustra perfeitamente isso: é uma curiosidade interessante por 2 minutos, mas não vai muito além disso realmente.
AS REGRAS
Todos os jogos publicados nas revistas Ação Games, Super Game Power e Gamers (matérias completas e previews se tiverem mais de um parágrafo e não forem mais que 3 numa página) serão jogados e resenhados, salvo algumas exceções:
1. Gêneros que não serão resenhados:
- Shmups;
- Simuladores de veículos em geral;
- jRPGs apenas em japonês;
- Shooters on rails;
- Arena FPS/TPS;
- Pinball;
- Esporte (incluindo corrida e wrestling);
2. Sistemas que não serão resenhados: MSX e portáteis.
3. Jogos lançados em vários sistemas só serão resenhados novamente se forem radicalmente diferentes.
4. Uma vez por mês (de revistas) eu me reservo o direito de pular um jogo. Seja porque não pensei em nada interessante para falar, porque não consegui fazer funcionar ou porque não tô afim.
Dito isso, aos trabalhos! GIT GUD SCRUB!