domingo, 17 de maio de 2026

[#1737][Set/2001] X-MEN: Mutant Academy 2

Então, X-Men: Mutant Academy… mas 2. 

O primeiro X-MEN: Mutant Academy, como mencionei naquela review, era antes de tudo um tie-in do filme de 2000 e, em segundo lugar, um jogo de luta medianamente decente. Bom, cerca de um ano e meio depois, a Paradox Development percebeu que ainda tinha essa engine largada acumulando poeira e foi full Bilbo Bolseiro: “Afinal, por que não? Por que não faríamos outro?” Assim nasceu "X-Men: Mutant Academy 2: Dessa Vez Sem Tie-in de Filme Boogaloo".

Então, naturalmente, a primeira coisa que você se pergunta ao iniciar uma sequência como essa é: tá, mas... o que exatamente mudou aqui? O que eles realmente trouxeram de novo dessa vez? Felizmente, essa é uma pergunta fácil de responder… embora talvez não de uma forma muito animadora. Ao ligar o jogo você pode se perguntar que desenvolvimento ocorreu entre o X-MEN: Mutant Academy original e essa sequência, porque o menu inicial é o mesmo — incluindo o mesmo irritante zumbido ambiente repetindo ao fundo e o mesmo efeito sonoro insuportável toda vez que você alterna entre as opções do menu. Meu deus, não trocaram nem o menu... esse vai ser um dia daqueles, né?


Ainda assim, esse é o nosso trabalho, então vamos em frente que pra trás não dá mais. E, para ser justo, pelo menos tem uma quantidade respeitável de conteúdo novo aqui. O elenco praticamente dobrou e algumas das adições são escolhas surpreendentemente de nicho, algo que eu sempre respeito. Todo o elenco do primeiro jogo retorna, mas agora se juntam a eles favoritos dos fãs como Noturno, Mística e Vampira — e naturalmente Psylocke também aparece, porque nenhum videogame dos X-Men tem permissão legal de existir sem pelo menos uma mulher ninja psíquica roxa.

Mas se você quer mesmo as referências obscuras, o jogo também inclui Destrutor — o irmão perpetuamente esquecido do Ciclope que solta raios laser — junto com Forge, o inventor-mecânico mutante imparável que provavelmente passa a maior parte do tempo livre consertando a Mansão X. Também tem vários personagens desbloqueáveis, algumas dessas inclusões bem interessantes como o próprio Professor Xavier, que finalmente pode sair na porrada usando uma combinação de telecinese e um estilo de luta que só consigo descrever como cadeira-de-rodas-fu. O precursor do filme do Speed Racer, se preferir

E aí temos o Amigão da Vizinhança, que é incluído de forma bem pouco discreta como outdoor ambulante para o então vindouro SPIDER-MAN 2: Enter: Electro — que já comentei aqui no blog — mas, justiça seja feita, sua inclusão ao menos não é meia-boca. Ele realmente se destaca do resto do elenco, com animações acrobáticas e ataques de teia que o tornam um dos personagens mais divertidos de usar. É uma promoção cruzada descarada, sim, mas pelo menos é uma promoção cruzada descarada bem feita.


Outra característica que retorna é a seleção de cenários, com a importante diferença que desta vez os desenvolvedores finalmente tenham se dado ao trabalho de combinar arenas com personagens que fazem sentido de verdade. Quero dizer, o Sapo agora luta no cenário do esgoto em vez do bizarro horizonte apocalíptico que ele inexplicavelmente tinha no jogo anterior, enquanto Magneto finalmente ganha uma base lunar dramaticamente adequada em vez de um deserto pré-histórico cheio de lava que mais parecia pertencer a uma fase rejeitada de Turok. Parece ser exigir o minimo, mas o minimo nunca é uma garantia em jogos licenciados. Também tem muito mais trajes alternativos desta vez, com a maioria dos personagens tendo pelo menos três visuais para alternar, e alguns chegando a quatro. O que, novamente, para um jogo de luta licenciado de PS1 é bem generoso realmente.

Em termos de jogabilidade, Mutant Academy 2 é definitivamente melhor que o primeiro jogo, que era meio janky… mas não espere muito milagre aqui. Ainda é, sem sombra de dúvida, um jogo de luta de baixo orçamento do final do PS1 dando o seu melhor. Dito isso, as animações estão visivelmente mais suaves, e os combos agora realmente funcionam. Os ataques se encadeiam de forma muito mais natural, em vez de parecer que cada golpe é desferido em câmera lenta através de melaço. Os personagens também têm listas de golpes expandidas e ataques especiais adicionais, o que ajuda a dar a eles um pouco mais de individualidade, em vez de parecerem meras trocas de paleta com efeitos de partículas ligeiramente diferentes.


Curiosamente, uma das melhorias que mais apreciei não tem nada a ver com mecânicas de jogabilidade: a arte. As telas de abertura e os retratos de seleção de personagens são genuinamente fantásticos. Damon Dubois e os artistas da Paradox deram a muitos personagens da Marvel uma reinterpretação visual distinta, e alguns deles — especialmente a Vampira — têm uma estética de quadrinhos realmente memorável que se destaca até hoje. Tem um estilo de arte exagerado, levemente sujo, típico dos quadrinhos do final dos anos 90, que parece incrivelmente maneiro.

Fora isso, a mecânica de luta em si é basicamente o que se espera. Cada personagem tem socos e chutes fracos e fortes, que agora finalmente podem ser encadeados corretamente — e sim, aparentemente estamos comemorando a existência de uma funcionalidade básica de combo como se fosse uma inovação revolucionária. Bem-vindo aos jogos de luta licenciados do PS1, onde a régua está localizada em algum lugar do manto terrestre.

Ainda assim, a sequência adiciona várias melhorias de qualidade de vida que realmente importam. Você finalmente tem controle sobre as configurações de dificuldade e as regras das lutas, recursos cuja ausência no primeiro jogo era inexplicavel. Tá, a explicação provavelmente foi bem simples: “É um tie-in de filme. Não tem tempo, não tem orçamento, ninguém se importa, e as pessoas vão comprar porque o Wolverine tá na capa.


O Modo Arcade também recebe uma melhoria bem-vinda. Em vez de enfrentar o elenco na mesma ordem predeterminada todas as vezes, os oponentes são aleatórios, o que pelo menos acrescenta um pouco de valor de replay. Completar a escada de um personagem desbloqueia cenas em FMV, como no primeiro jogo, mas agora elas realmente tentam contar mini-histórias. Muitas delas até se conectam em pequenas narrativas contínuas mas, novamente, não espere muito milagre. O Ciclope tentando impressionar a Fênix durante uma sessão de treinamento, só para o Destrutor acertá-lo pelas costas cinco segundos depois e fazer ele parecer um manezão, confusão y risadas.

Então, onde isso deixa Mutant Academy 2 no geral? Honestamente, acho justo encarar este jogo como algo muito próximo do que eu costumo chamar de "sequencia de update". Ele reutiliza uma quantidade enorme de conteúdo do primeiro jogo: muitos personagens mantêm os mesmos modelos com apenas pequenos retoques, várias listas de golpes claramente compartilham a mesma base, todos os cenários originais retornam, e até grandes partes da apresentação dos menus são recicladas por atacado. Sem dúvida, parece mais uma DLC do que um jogo inteiramente novo.


Ainda sim, podia ser pior. Porque, em muitos aspectos, Mutant Academy 2 parece menos uma sequência tradicional e mais a versão completa daquilo que o primeiro jogo, feito às pressas, provavelmente deveria ter sido desde o início. O primeiro Mutant Academy tinha o esqueleto de um jogo de luta dos X-Men no estilo arcade enterrado em algum lugar sob os prazos de um jogo licenciado e as restrições de orçamento. Esta sequência simplesmente dá músculos de verdade a esse esqueleto. Ela não revoluciona nada, e certamente não compete com os jogos de luta peso-pesado de sua época, mas consegue ser uma versão muito mais completa, rica em conteúdo e bem jogável do conceito original. 

O que, para um jogo de PS1 já quase em 2002, é bem mais do que vc poderia esperar.

MATÉRIA NA SUPER GAME POWER
EDIÇÃO 089 (Agosto de 2001)