Os anos 2000 foram uma época estranha quando você para pra pensar sobre isso. Quer dizer, vocês se lembram dos ringtones? Aquela moda bizarra em que usávamos os métodos de pagamento mais bizarros (quer dizer, pagar usando SMS, olha que coisa esquisita) só para fazer nossos Nokia tijolão soarem como um Master System tentando reproduzir o refrão de uma música famosa? Hoje, o conceito todo parece completamente insano. Se alguém me oferecesse pagar cinco pila pra que o meu telefone nunca mais fizesse nenhum som, eu pagava na hora. Mas naquela época, olhávamos para as ideias mais idiotas com olhos de admiração e achávamos que elas eram o futuro.
Ou então o chat por voz, por exemplo. Eu sinceramente não consigo pensar em um único ser humano mentalmente saudável que entre em uma partida online, ligue o chat de voz e espere qualquer coisa além de ouvir uma saraivada de xingamentos e descrições cada vez mais criativas do que estranhos supostamente fizeram com a sua mãe na noite anterior. Quer dizer, eu não preciso explicar a internet para vocês. As pessoas são horríveis, e o chat de voz online é basicamente o cano de esgoto por onde os piores instintos da internet fluem livremente — duas portas antes do 4chan e um corredor depois dos comentários do Twitter. Mas isso vocês já sabem.
O que vocês talvez não saibam, no entanto, é que em 2001 a gente ainda não sabia disso. Naquela época, o chat de voz online parecia o recurso mais legal que se podia imaginar — futurista, até. Tão futurista, na verdade, que a Sega incluiu um microfone com Alien Front Online e o comercializou como o grande atrativo do jogo, o enorme diferencial para o que era, de resto, um arena shooter bem mediocre. A jogabilidade em si é perfeitamente funcional, mas a verdadeira atração era basicamente a oportunidade de aprender novas ofensas raciais com completos estranhos via modem de 56k. Como eu disse, os anos 2000 eram um lugar estranho.
Mas tudo bem, já que estabelecemos que a função primária deste jogo era aparentemente educar crianças sobre as muitas maneiras como usuários anônimos da internet poderiam insultar sua mãe, o que dizer do jogo em si? O que se pode falar sobre Alien Front Online como videogame?
Bem… não muito, temo.
Desenvolvido pela WOW Entertainment — o estúdio por trás de jogos como Sports Jam e Sega GT — Alien Front Online é essencialmente um arena shooter com um toque de combate de veículos no meio. Imagine algo entre OUTTRIGER, HEAVY METAL: Geomatrix e SPAWN: In the Demon's Hand, só que reduzido ao mínimo absoluto necessário para funcionar online em 2001.
Você luta pelas forças defensoras da Terra ou pela raça alienígena invasora conhecida como Triclops, que estão obviamente determinadas a conquistar a preciosa pedra azul e verde da humanidade. Os pilotos controlam tanques militares tradicionais ou equivalentes alienígenas, como hovercrafts and walkers, e então entram em arenas pequenas onde o objetivo geralmente é alguma variação de "destrua tudo que se move antes que isso destrua você". Pessoalmente, eu fiquei mais com a facção humana — o que dizer, sou patriota — e o conteúdo para um jogador é dividido em dois modos principais: uma campanha com ramificações e um modo mais estilo arcade focado em percorrer arenas, explodir inimigos e correr contra o relógio.
E é exatamente essa a questão sobre Alien Front Online: ele foi projetado acima de tudo em torno das limitações dos jogos online da época. Este era um jogo de arcade adaptado para rodar partidas via modem de 56k e, honestamente, só esse fato já diz quase tudo o que você precisa saber. A mecânica é extremamente simples. Você se move, atira, ocasionalmente desvia de algo e… é, isso é basicamente a experiência toda. Os objetivos são simples, os controles são simples, os mapas são relativamente pequenos e os gráficos são apenas decentes o suficiente para cumprir seu papel. Aliás, muitos NPCs são renderizados como sprites em vez de modelos 3D puramente para economizar banda e poder de processamento.
O que torna uma omissão especialmente intrigante: apesar de ser fortemente focado em multijogador, Alien Front Online não tem nenhum modo tela dividida. A Sega realmente apostou todas as fichas no online aqui. Seja por limitações de hardware, tempo de desenvolvimento ou simples negligência, a ausência do multijogador local prejudica seriamente um jogo tão centrado no jogo competitivo. Especialmente porque esse jogo foi lançado seis meses depois que a Sega desligou os aparelhos que mantinham o Dreamcast vivo, então eu realmente diria que vc teria muito mais facilidade para encontrar outro ser humano na mesma sala do que para encontrar outra pessoa online num console flopado. Apostar tão pesadamente na funcionalidade online lançando um jogo apenas seis meses depois de matar o Dreamcast parece exatamente algo que a Sega faria.
Ainda assim, tem algo estranhamente charmoso em todo o pacote. Não porque o jogo em si seja particularmente bom — ele não é — mas porque Alien Front Online captura perfeitamente aquela era bizarra de transição em que a indústria tentava descobrir como seria o futuro dos jogos online. A Sega, como sempre, estava ao mesmo tempo à frente de seu tempo e completamente sem noção do que estava fazendo. Porque se tem uma coisa mais difícil do que entender as tendências do início dos anos 2000 pelos padrões modernos, é entender a Sega.




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