quinta-feira, 21 de maio de 2026

[#1741][Nov/2001] TARZAN: Untamed


Como eu já disse algumas vezes nesse blog, lá pelo final de 2001 o tempo de vida do PS1 já deu o que tinha pra dar. Nenhum grande projeto estava mais sendo desenvolvido para o primeiro console da Sony, o dinheiro já tinha migrado para a sexta geração e o público acompanhou de bom grado. Então, o que restava para o betinha bom e velho PS1? Licenciamentos baratos como DISNEY'S ATLANTIS: The Lost Empire ou jogos feitos diretos para o balaião de liquidação como SPEC OPS: Ranger Elite. O público-alvo desses jogos era óbvio: criancinhas herdando o console antigo de um irmão mais velho que já tinha feito o upgrade, ou famílias de baixa renda para quem um investimento em um PS2 era inviável, mas um jogo licenciado barato e simples de PS1 ainda era uma compra que valia a pena.

Veja BUZZ LIGHTYEAR OF THE STAR COMMAND, por exemplo. Basta bater o olho para ver que é um jogo da rabeira do PS1: um plataforma bem simples onde você corre em uma direção, com pouquíssimas mecânicas ou experimentação. É o tipo de jogo construído em torno de uma engine funcional, uma licença reconhecível e um ciclo de desenvolvimento que claramente priorizava velocidade e orçamento acima de ambição. Mas então, para o público-alvo desse jogo isso provavelmente era o suficiente.

Certo, mas... por que estou falando disso? Bem, porque Tarzan Desdomado parece exatamente um desses jogos de final de PS1 — só que lançado para a sexta geração.


E o que quero dizer com isso é exatamente isso: apesar de ser um título de PS2/GameCube, a jogabilidade é surpreendentemente simples. Tarzan passa a maior parte da aventura magneticamente grudado no cenário, movendo-se por galhos e cipós com uma vibe bem de jogo auto-rin de celular. Quase não há senso de exploração ou movimento livre. Na maior parte do tempo, seu trabalho consiste em segurar o direcional para frente e, ocasionalmente, apertar o botão de pulo quando a fase pede.

Para quebrar a monotonia, o jogo insere seções de rail grinding em galhos, surfe e aquaplanagem que ao menos capturam um pouco da energia cinética do filme animado DISNEY'S Tarzan. Créditos onde créditos são devidos: esses momentos são dinâmicos de um jeito bem "Tarzan", mesmo que, mecanicamente, ainda sejam extremamente rasos. 

Ao menos a apresentação é até que decente. Os gráficos são respeitáveis para um jogo licenciado do início da sexta geração, com ambientes de selva exuberantes e animação competente. A trilha sonora também é sólida, embora você definitivamente sinta a ausência de qualquer coisa que lembre as icônicas músicas do Phil Collins. Eu entendo que licenciar essas faixas seria caro e burocrático, mas entender a razão prática não quer eu ache isso bom.


Os controles também são surpreendentemente competentes, especialmente durante as sequências mais dinâmicas, como as fases de esqui aquático ou os minijogos de bungee-jump. Sinceramente, o jogo tem controles muito melhores do que se esperaria desse tipo de produto licenciado descartável. O problema é que simplesmente não tem muito o que fazer com esses controles. Às vezes, o jogo flerta brevemente com a ideia de combinar plataforma com a moda dos "esportes extremos" que dominou o início dos anos 2000 graças a jogos como TONY HAWK PRO SKATER ou SSX, mas essas ideias nunca evoluem para nada que faça diferença no jogo. 

E então chega o momento em que o jogo perde completamente toda a pouca boa vontade que eu ainda tinha por ele quando, em certo ponto, Jane é sequestrada. Não que eu seja um grande partidário contra o sequestro de mocinhas de videogame, o meu problema é mais que o progresso de repente exige coletar 45 rolos de filme de um total possível de 48. Naturalmente, você não tem como conseguir todos eles na primeira vez que joga as fases, o que significa que o jogo te força a repetir os níveis em busca de caminhos alternativos que agora abriram. O problema é que a fórmula colletathon estava por toda parte no início dos anos 2000, herdada de jogos como BANJO-KAZOOIE e SUPER MARIO 64... exceto que esses jogos tem mundos complexos e recompensadores de revisitar. Tarzan Untamed não. Suas fases são corredores lineares que se jogam quase da mesma forma, e pedir aos jogadores que os percorram novamente para encontrar o que perderam na primeira vez não é profundidade — é filler. 

Mas então, não tem muito mais o que dizer sobre Tarzan Untamed além disso. Como eu disse, em termos de jogabilidade isso parece muito mais com o tipo de jogo que você encontraria jogado em um balaio de liquidação por dez ou quinze dólares do que um lançamento de PS2 ou GameCube em preço cheio. Tá, eu entendo que os consoles de sexta geração também precisavam da sua cota de "presente de Natal para o sobrinho". Nem todo título tentava reinventar o meio. Alguns estavam simplesmente ali para ocupar as crianças por um fim de semana, e nesse aspecto, Tarzan Untamed é... funcional.


É um jogo aceitável para crianças mais novas, mesmo que a rejogabilidade obrigatória e a caça por colecionáveis possam acabar confundindo parte desse público. Eu não consigo realmente sentir ódio dele, porque o jogo é pelo menos razoavelmente competente no muito pouco que ele tenta fazer.

Só não me peça para elogiá-lo além disso.

MATÉRIA NA AÇÃO GAMES
EDIÇÃO 168 (Outubro de 2001)


EDIÇÃO 169 (Novembro de 2001)