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| A coisa mais memorável a respeito desse jogo é o uso mais estranho de dois pontos que eu já um título, isso tem que ser dado a ele |
Tá, esse vai ser rápido, porque não é todo jogo que rende uma tese científica inteira sobre ele, né.
[AGORA A GENTE TA CHAMANDO AS SUAS RESENHAS VAGAMENTE ALFABETIZADAS DE "TESES CIENTÍFICAS"? OK, É UM JEITO DE VER A COISA...]
Pois é, né? Enfim, resenha rápida pra um trabalho rápido. É que em 2002 o nosso querido cabeça de teia ganhou o aclamado filme do Sam Raimi, e com ele, claro, veio um jogo tie-in pra então geração atual ("Spider-Man: The Movie" pra PS2, PC, Xbox e GameCube). Mas... e quanto a um jogo pra geração passada? O timing de marketing perfeito: o PS1 ainda tnha uma base instalada bem forte, milhões de jogadores ativos, ainda um ótimo negócio comercialmente.
O problema, claro, é que entre 2001 e 2002 ninguém mais estava investindo grana pesada em títulos novos de PS1. Como se resolve isso? Bem simples, não investindo praticamente nada no seu jogo. Bam, grana fácil pelo custo de duas balas Xaxá e um Toblerone de menta (na real o Toblerone tá bem caro atualmente, vou precisar de outra metafora daqui pra frente).
Então o que é Miranha 2: Entra Electro? Bom, é basicamente o SPIDER-MAN original com os assets reorganizados em fases novas. Eu sei que dizer que uma sequência é "o mesmo jogo com fases novas" soa preguiçoso pra caceta como crítica, mas eu juro pra vocês que foi basicamente isso que aconteceu aqui.
Ok, dizer que não adiciona nada novo não seria totalmente justo. Ele introduz alguns movimentos e habilidades extras — mas, sinceramente, você meio que queria que não tivesse. Elas mais complicam os controles sem que o level design realmente peça por elas, então não tem realmente nenhum uso. E pra completar, o camera... excêntrico, vamos colocar assim... do jogo anterior está de volta, e dessa vez ele parece estar tomando café com Red Bull entre uma fase e outra — porque este jogo claramente teve muito menos tempo pra polimento (se é que teve algum), e a Activision claramente não estava perdendo nenhum sono com o resultado.
A parte boa é que Stan Lee está de volta, mesmo que ele provavelmente não tenha precisado gastar mais do que uma tarde gravando as vozes dele pra esse aqui. Ainda assim, como um True Believer, eu sempre acho maravilhoso que ele tenha feito isso. Melhor ainda, tem uma opção de visualizador de personagens no menu principal onde o Lee faz introduções de duas ou três frases pra cada personagem. Alguns são capangas genéricos descartáveis ou robôs, mas as entradas sobre os personagens reais dos quadrinhos são genuinamente divertidas. Ironicamente, essa funcionalidade também destaca como o jogo tem poucas participações especiais comparado ao original — o que é uma das minhas maiores reclamações. De qualquer forma, ouvir O Cara é sempre ótimo.
A pior parte é que o jogo parece notavelmente menos balanceado que seu antecessor, e as missões com tempo são particularmente cruéis. O Homem-Aranha está sempre perseguindo bandidos, trens ou desastres iminentes em todas as suas encarnações, então faz sentido incluir essas sequências num videogame. O problema aqui é a execução. As fases com cronômetro quase sempre exigem uma boa dose de tentativa e erro só pra aprender o caminho necessário dentro dos prazos apertados. Outras simplesmente não são divertidas, tipo a sequência em que você precisa derrubar a parede gigante do Homem-Areia pra poder pegar um trem antes que ele vá embora enquanto também desvia dos ataques dele, isso repetidas vezes durante a fase. E esse é só um exemplo entre muitos.
Tem também uma infeliz nota de rodapé histórica que vale mencionar aqui. A versão original do jogo na verdade incluía uma fase final nas torres do World Trade Center, mas depois de setembro de 2001, não é muita surpresa entender pq a fase foi substituída por um final alternativo em cima da hora. A não exatamente e o trecho final do jogo definitivamente parece ter saído do nada — mas saber o contexto explica o porquê.
No fim das contas, Spider-Man 2: Enter Electro grita "sequência rushada" com todas suas forças. Funcionalmente, é quase idêntico ao jogo original, mas ainda assim consegue ser ligeiramente pior na maioria dos aspectos. Os movimentos, controles e gráficos são basicamente copiar e colar, o que deixa o level design e a história como as principais oportunidades pra se destacar. Infelizmente, o jogo falha aí também. As primeiras fases até dão a entender que terá cenários mais mais abertos, mas esses espaços são tão vazios que meio que não importa realmente. Em outras partes, o jogo força muito a barra pra você se mover rápido o tempo todo — mesmo que os controles nem sempre deem suporte pra esse tipo de precisão. Tem tentativa e erro demais no geral, as lutas contra chefes são notavelmente mais fracas do que antes, e a experiencia toda do jogo sofre por causa disso.
Minha última reclamação é que o jogo corta quase todas as participações especiais que o primeiro apresentou como um grande charme. O Fera te guia pelo tutorial, o que te faz pensar que o jogo vai estar de novo cheio de cameos da Marvel como o anterior — mas depois do Fera, basicamente não tem mais nada. As lutas contra chefes são os únicos outros encontros com personagens Marvel, e eu acho bastante dificil que algum dia eu ficar empolgado com um jogo onde o Shocker e o Electro são as atrações principais. Quer dizer, caras vestidos como estrelas de árvore de Natal é onde eu traço a linha.
Isso tudo parece muita reclamação, mas sinceramente eu acho esse jogo mais chato do que terrível. Já estive lá, já fiz isso antes — quase literalmente, nesse caso.
MATÉRIA NA AÇÃO GAMES
EDIÇÃO 165 (Julho de 2001)
EDIÇÃO 089 (Agosto de 2001)



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