terça-feira, 27 de outubro de 2026

[#1849][Nov/2001] RETURN TO CASTLE WOLFENSTEIN


Quando eu jogo um jogo e estou pensando em como analisar ele, talvez a pergunta mais importante que me ocorre é a seguinte: pra que esse jogo existe? Claro, tem alguns casos como um Criticom da vida que ela é seguida de outra pergunta: não, sério, pra que mesmo?

Sim, eu entendo o sentido comercial da coisa, entendo que videogames são produtos, que empresas precisam ganhar dinheiro e que desenvolvedores tem essa mania irritante de querer comer três vezes por dia e morar em casas com eletricidade, esses folgados. Mas então, videogames não são pão. 

[QUANDO A GENTE ACHA QUE JÁ VIU TODO TIPO DE FRASE ALEATÓRIA NESSE BLOG...]

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

[#1848][Abr/2001] ANIMAL CROSSING

Videogames existem para permitir que realizemos nossas fantasias mais absurdas.

Em Grand Theft Auto, você pode roubar carros, enfrentar a polícia e transformar uma cidade inteira no seu reino do caos. Em Final Fantasy, você pode atirar uma bola de praia na fuça de Deus... e, de alguma forma, salvar o mundo fazendo isso. Em Doom, você pode ir literalmente ao Inferno e ser a coisa mais assustadora de lá, tornando-se o bicho-papão sobre o qual as mamães-demônio contam histórias para seus filhotes-demônio antes de colocá-los na cama.

E, dentre todas essas fantasias irrealistas, nenhuma — eu garanto, NENHUMA — chega perto do absurdo inconcebível que Animal Crossing oferece: ter uma casa própria, conhecer seus vizinhos pelo nome, conseguir pagar sua hipoteca e viver uma vida gratificante.

Tá, aí cês tão forçando a suspensão da descrença, meus queridos.

domingo, 25 de outubro de 2026

[#1847][Out/2003] JUDGE DREDD: Dredd vs. Death


Imagine que eu lhe proponha um sistema de governo no qual uma força policial de rosto coberto, fortemente armada, tem poderes para interpretar a lei, julgar e executar as próprias sentenças na rua mesmo, sem precisar prestar contas a ninguém. Uma polícia que não pergunta, não ouve, apenas prende, bate e, se necessário, atira. Não raramente, atira também quando não é necessário. A guerra é contra o crime, e a definição de crime vai se expandindo até incluir qualquer um que discorde do que o Estado decidiu que é bom para você.

Obviamente, estamos falando de um regime fascista opressor, e é muito fácil apontar esses sujeitos como os vilões da história. Bem, sim. O que é menos fácil é explicar por que tantas pessoas anseiam por esse futuro, não apenas na ficção como na vida real.

sábado, 24 de outubro de 2026

[#1846][Fev/2003] COMMAND & CONQUER: Generals


No começo do século XX, o diretor de teatro austríaco Max Reinhardt desenvolveu uma concepção de espetáculo que, pra mim, é a chave para entender como funciona o entretenimento. Para Reinhardt, a experiência não começava quando os atores entravam no palco, mas muito antes disso. A arquitetura do teatro, a iluminação, a disposição das poltronas e até as cores do ambiente contribuíam para colocar o espectador num determinado estado emocional antes mesmo de a apresentação começar.

E isso acontece porque, ao contrário do que algumas críticas (que querem se levar mais a sério do que essa tolice toda é) defendem, entretenimento não é uma substância que você consome em quantidades mensuráveis. Você não vai ao cinema para consumir 0,17 gramas de diversão, não liga o videogame para receber 1,28555 unidades de jogabilidade e não termina um livro podendo afirmar que ele entregou 87,38% de seu potencial narrativo. Não é assim que a cabeça humana funciona, porque a arte é uma experiência subjetiva que depende tanto daquilo que está sendo apresentado quanto de quem está recebendo a apresentação.

E uma das partes mais importantes dessa relação é a expectativa.

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

[#1845][Ago/2002] THE THING

Eu não sou exatamente especialista em administração de recursos científicos, mas sempre imaginei que o orçamento de uma estação de pesquisas na Antártida envolvesse coisas como microscópios, equipamentos meteorológicos, instrumentos de medição, suprimentos médicos e uma quantidade de café suficiente para fazer um funcionário público atravessar o expediente sem cometer homicídio.

Aparentemente, eu estava errado.

Porque em O Enigma de Outro Mundo, de João Carpinteiro, descobrimos que o governo americano considera perfeitamente razoável equipar uma estação científica com espingardas, revólveres, lança-chamas e uma quantidade de dinamite suficiente para escavar o meteoro que matou os dinossauros. Eu não sei o que EXATAMENTE eles estavam esperando que acontecesse naquela estação de pesquisa, mas certamente estavam preparados pra isso do jeito mais AMERICA FUCK YEAH™ possível.

Mas estamos em 1982 e talvez entrar em guerra contra o gelo fosse uma prioridade estratégica do governo Reagan durante a Guerra Fria. Eu não sei, não sou cientista.

Do fundo da gaveta