Em algum ponto de enquanto eu passava uma hora me arrastando por esse jogo (pelo menos eles são curtos, ao menos isso), minha mente começou a vagar. Quer dizer, existem tantos títulos da série Army Men, e todos eles são tão agressivamente desinteressantes que, na minha quarta review do que é essencialmente o mesmo jogo tiro em terceira pessoa medíocre, meu cérebro não consegue evitar de divagar. Você começa a fazer perguntas estranhas. Por que estou aqui? Por que estamos todos aqui? O que estamos todos fazendo com nosso tempo limitado neste rocha giratória pelo espaço? E, mais importante... sobre o que são esses jogos, realmente?
Pense nisso por um segundo. Esses jogos são construídos em torno de um mundo de uma guerra infinita — uma luta global permanente entre as forças do Nós contra Eles. Nós estamos sempre certos. Eles são sempre o Inimigo, a ser eliminado ao ser visto, sem questionamentos, sem contexto. Nunca há um motivo significativo para o conflito. É basicamente o 1984 ganhando vida em forma de plástico: "Estamos em guerra com os Tans. Sempre estivemos em guerra com os Tans."
O que levanta uma questão interessante: o que realmente diferencia "Nós" deles? Na prática, é só a cor. E quando vc pensa nisso, a coisa toda começa a parecer um pouco... estranha. Qual é exatamente a mensagem de "Army Men", especialmente para o público mais jovem para o qual foi claramente comercializado? Que se alguém é de uma cor diferente da sua, a resposta correta é a diplomacia balística imediata?
Ok, talvez eu esteja viajando um pouco. É perfeitamente possível que eu tenha encarado o abismo plástico por tempo demais. Mas acompanhe o meu raciocínio. Imagine uma linha do tempo onde Army Men se tornou um gigante cultural absoluto — o tipo de franquia que molda conversas de recreio e se fixa em cérebros em desenvolvimento. Que tipo de conversas estaríamos tendo sobre isso hoje? Que tipo de visão de mundo simplista e binária ele poderia estar reforçando?
Tá, não que eu ache que esta relíquia humilde do PS1 esteja secretamente reprogramando os jovens, saiba você. Mas depois da sua quarta marcha por outro campo de batalha bege contra outro exército Tan sem rosto, seu cerebro começa a procurar desesperadamente qualquer estimulo que seja. Então não, a 3DO Company não realmente tinha uma agenda secreta para instigar uma guerra racial ou algo do tipo. Céus, não. Mas a esse ponto, eu até queria que tivesse. Pelo menos haveria algo aqui — alguma tentativa de significado, alguma intenção, mesmo que feia. Em vez disso, Army Men é apenas uma casca vazia: capitalismo puro do final dos anos 90, do tipo que só quer colocar mais uma caixa na prateleira e extrair mais alguns dólares através de quantidade em vez de qualidade.




























