domingo, 4 de janeiro de 2026

[#1637][Set/2000] POKEMON PUZZLE LEAGUE


Ontem eu publiquei uma review extensivamente longa que absolutamente ninguém pediu sobre POKEMON GOLD/SILVER. Mas enfim, ainda estamos enfiados até o pescoço no coração pulsante da Pokémania, então hoje vamos falar de mais jogos de Pokémon — desta vez com uma reviw curta. Eu prometo.

Pokémon Puzzle League é Panel de Pon com skin de Pokémon.
É isso.
Acabou.
Fim da review.

Viu? Eu disse que seria curta.

[ESPERA, O QUÊ? ISSO NÃO EXPLICA NADA!]

Ah, qual é, Jorge. Você conhece Panel de Pon, né?

[PANEL DE O QUÊ?]

suspiro

Sabe… aquele jogo que foi lançado no Ocidente como TETRIS ATTACK, mesmo não tendo absolutamente nada a ver com Tetris além do fato de ser um jogo de puzzle? Uma jogada de marketing tão safada que os próprios criadores se arrependem dela até hoje?


[…CONTINUA NÃO SIGNIFICANDO NADA PRA MIM…]

Tá bom. O jogo que inspirou diretamente o Bejeweled — que praticamente todo mundo e a mãe de todo mundo (especialmente as mães, nesse caso) conhece hoje como Candy Crush.

Esse é o Panel de Pon.

Você move uma peça, os blocos coloridos caem, você junta três blocos da mesma cor para eliminá-los. Junta mais de três de uma vez e manda lixo para a tela do adversário. Esse é o loop central. Simples, frenético e absurdamente viciante. 

Pokémon Puzzle League é exatamente isso.
Só que… com Pokémon por cima.

Para crédito do jogo, ele usa os dubladores da versão americana do anime.
Para menos crédito, a dublagem americana é horrorosa — como quase sempre é — mas isso não é culpa do jogo.


Antes de cada batalha, você pode escolher seu Pokémon. Isso parece empolgante, mas não se anime demais: é puramente estético. Não existem vantagens de tipo, habilidades especiais ou qualquer diferença mecânica. Pikachu, Squirtle, Gengar — é tudo o mesmo bloco caindo. E por que seria diferente? Isso aqui é um cash-in barato, feito para surfar a onda da loucura Pokémon em velocidade máxima. Ninguém ia reescrever códigos ou repensar sistemas quando o objetivo era simplesmente colar rostos conhecidos em uma fórmula que já funcionava. Crianças queriam ver ratos amarelos. Crianças viram ratos amarelos. Blocos caíram. O dinheiro fluiu.

Afinal, qualquer coisa que envolvesse animais selvagens escravizados, arrancados de seus habitats naturais e forçados a lutar em rinhas glorificadas basicamente imprimia dinheiro no final dos anos 90. Esse é o pitch. Esse é o jogo inteiro. Some a isso os modos que você já espera — jogo infinito, “resolva esse puzzle com um número limitado de movimentos”, versus, time attack — e você já sabe exatamente o que está levando pra casa.

Então… é um jogo bom?
Sim. É.
Porque Panel de Pon é um ótimo puzzle.

Colocar Pokémon em cima disso não melhora a jogabilidade, mas também não piora. O sistema continua profundamente satisfatórios. O único dano real aqui é ao meu orgulho como treinador Pokémon — especialmente toda vez que sou obrigado a olhar para o time do Ash e lembrar que esse desastre ambulante de treinador simplesmente odeia o conceito de evolução, se recusa a capturar qualquer coisa além do primeiro Pokémon básico que aparece na frente dele, e faz isso com a preguiça incandescente de mil sóis amarelos.

Mas isso também não é culpa do Puzzle League.

MATÉRIA NA AÇÃO GAMES
EDIÇÃO 153 (Julho de 2000)


EDIÇÃO 157 (Novembro de 2000)


MATÉRIA NA SUPER GAME POWER
EDIÇÃO 079 (Outubro de 2000)


EDIÇÃO 081 (Dezembro de 2000)